Sexta-feira, 11.12.09

Esporão Reserva tinto 2007

Agora viro-me para um grande vinho português. Um vinho que nos habituou a uma qualidade alta colheita após colheita. É talvez um dos poucos vinhos portugueses que podemos comprar às cegas, um vinho com um perfil muito abrangente, do qual dificilmente diremos mal ou que não gostamos.
Vinho acabado de sair para o mercado, dois anos depois da colheita. À semelhança do reserva branco 2008, o rótulo é da autoria de José Pedro Croft, que simboliza a complexidade de aromas, sabores e cores deste vinho. Feito com Aragonês, Carbernet Sauvignon e Trincadeira e estagiou 12 meses em barricas de carvalho americano (70%) e francês (30%). Após o engarrafamento seguiram-se mais 12 meses de estágio em garrafa.
Tem uma cor granada escura.
Aroma intenso, com boas notas de frutos a lembrar cerejas, morangos maduros. À parte da fruta, também encontramos notas de cacau, café, baunilha e ligeira tosta. Fundo terroso.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Temos fruta vermelha madura, cacau, tosta, café , chocolate preto e ligeira baunilha. Final longo, com boa complexidade e frescura.
Temos aqui um vinho muito bem feito, com boa complexidade, onde as boas notas frutadas estão muito bem acompanhadas de uma panóplia de aromas e sabores provenientes do estágio em madeira. Tudo muito bem integrado, sem excessos. Tem estrutura e acidez que lhe permite aguentar muito bem em garrafa. Mais uma bela colheita deste vinho. 16,5.
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Terça-feira, 01.12.09

Altas Quintas branco 20008



Temos em prova mais uma novidade do produtor Altas Quintas. Desta vez brinda-nos com um branco, diferente, mais estruturado e complexo que o Crescendo, que pretende ser um parceiro para este Outono/inverno.
É o topo de gama dos brancos Altas Quintas, feito 4 anos após a primeira colheita da casa.
Com uma forte base da casta Verdelho e um pequeno contributo do Arinto, este colheita 2008 resultou de uma selecção das melhores uvas brancas de Altas Quintas, fermentadas em barricas novas de carvalho francês a baixas temperaturas, e de um processo de maturação nas mesmas barricas em câmara frigorífica, ao longo de mais de seis meses. Durante este estágio de amadurecimento, foi sujeito a uma batonnage, progressivamente decrescente, que conferiu ao vinho mais estrutura e complexidade.
Apresenta uma cor citrina, viva.
Aroma intenso, com predominância de notas de fruta citrina, que nos lembra limão e tangerina. Ligeiro tropical, com maracujá. O estágio em madeira dá-nos notas de baunilha, côco, ligeiro fumo.
Boca encorpada e com uma bela acidez. A fruta citrina e tropical está acompanhada de baunilha, côco e fumados. Belo final, longo, fresco e guloso.
Temos aqui um vinho, que a meu ver, está ainda um pouco marcado pela madeira que, principalmente na boca, tapa um pouco a fruta. Tem estrutura e frescura suficiente para crescer em garrafa, para casar melhor as partes. Uma boa estreia.16,5.
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Domingo, 29.11.09

Obsessão tinto 2004



Obsessão é o novo vinho tinto do produtor Altas Quintas. É um vinho qe será produzido apenas em anos de características excepcionais, como foi o caso de 2004, ano em que saem os primeiros vinhos da casa. O objectivo deste vinho, deste topo de gama, será revelar o melhor, a essência Altas Quintas.
Não tendo sido um ano particularmente extraordinário no Alentejo, a localização das vinhas, a 600mts de altitude na Sera de São Mamede, permitiram que 2004 fosse um ano excepcional para o produtor, que após o lançamento do Altas Quintas Colheita, Altas Quintas Reserva, sai agora, e após 5 anos, o expoente máximo da casa.
Produzido a partir das castas Alicante Bouschet e Trincadeira, colhidas manualmente e seleccionadas por duas vezes, e com um longo estágio em barricas novas de carvalho francês. Antes de sair para o mercado, ainda passa 3 anos de amadurecimento em garrafa.
Tem uma cor rubi escuro, concentrado.
Aroma intenso, onde se nota a fruta concentrada, que lembra cerejas, ameixas. Num ambiente balsâmico, com resinas, caixa de charutos, aparecem notas minerais, de tosta adocicada.
Boca muito encorpada e com uma excelente acidez. Mantém a qualidade da fruta que encontrámos no nariz, acompanhada de balsâmicos, minerais, tosta. Final longo e muito complexo.
Temos aqui um grande vinho, com uma estrutura impressionante, acompanhado de uma grande frescura, o que nos diz que teremos a sua companhia durante longos anos. Tem uma complexidade que nos faz meditar, que nos faz falar com ele sem pressas. É um prazer poder beber vinhos destes. Um grande vinho em qualquer parte do mundo. 18,5.
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Segunda-feira, 23.11.09

Vila dos Gamas Antão Vaz branco 2008

Tenho seguido este vinho com muita atenção. É um vinho que representa muito bem as características da casta nas terras quentes alentejanas. Foi daqui, da Vidigueira, que o Antão Vaz saltou para o topo das castas brancas queridas em Portugal. Agora, praticamente todos os produtores alentejanos têm a casta plantada, praticamente todos os grandes brancos a sul do Tejo têm-na no seu lote ou mesmo sozinha. Funciona muito bem tanto com ou sem barrica.
Este Vila dos Gamas é um exemplo de um Antão Vaz sem passagem por barricas, somente inox.
Tem uma cor amarelo citrino.
Aroma de leve intensidade. Notas minerais em conjunto de fruta a lembrar ameixas e ligeiros frutos secos.
Boca encorpada e com uma boa acidez. Começa mineral, passando depois para sabores mais frutados, com ameixas brancas e ligeiros frutos secos. Final de comprimento mediano.
Temos aqui um vinho onde se sente a casta um pouco presa, assumindo o lado mais austero e menos frutado. Um bom acompanhante para a mesa, com volume e acidez capaz de acompanhar pratos um pouco mais puxados. Um bom exemplo da casta a um preço baixo. 15.
publicado por allaboutwine às 11:49 | link do post | comentar
Quarta-feira, 11.11.09

Dueto alentejano da CARMIM


A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, vulgo CARMIM, foi criada em 1971 por cerca de 60 viticultores. Actualmente, 37 anos depois e com cerca de 1000 associados, é empresa líder no mercado. Vinhos como o Terras d'el Rei, produzidos em larga escala, encontram-se em praticamente todas as cartas da restauração. São vinhos baratos, eficazes e com mercado conquistado. Entre as 24 referências de vinho do produtor também existem marcas ícon, em segmentos diferentes, como o Garrafeira dos Sócios, um vinho de forte carácter elentejano e que desperta as melhores sensações.
Em prova temos dois vinhos monocasta, ambos de 2006, ambos com castas tipicamente alentejanas.

CARMIM Aragonês tinto 2008
Um monocasta de Aragonês e que estagia 6 meses em barricas de carvalho português e francês.
Tem uma cor rubi de boa concentração.
Aroma intenso e com boas notas frutadas a lembrar compotas de amoras, ameixas maduras e cerejas. Leve baunilha.
A boca é volumosa e com acidez mediana mas bem enquadrada. Mantém fruta que encontramos no aroma e um ligeiro toque metálico. Final longo e guloso.
Temos aqui um bom Aragonês, que se bebe com prazer, onde podemos encontrar a fruta gulosa, compotada, que nos dá a casta. Um vinho que se pode comprar por menos de 5 euros, o que o torna uma boa compra. 15.

CARMIM Trincadeira tinto 2008
Feito com a casta Trincadeira e estagiou 6 meses em barricas de carvalho português e francês.
Tem uma cor rubi escuro.
Aroma intenso, com muitas notas de fruta madura a lembrar ameixas, amoras, cerejas, compotas. Ligeiro vegetal.
Boca encorpada e com boa frescura. Muito frutada, a confirmar o aroma, a par de um ligeiro toque vegetal. Bom final, muito frutado.
Temos aqui um vinho um pouco mais complexo que o anterior, com as nuances mais vegetais a contribuir para tal. Gostei do vinho, muito fresco e apelativo. 15,5.
publicado por allaboutwine às 14:28 | link do post | comentar
Quarta-feira, 04.11.09

Adegaborba.pt Reserva rosé 2008

Este foi o meu companheiro de verão. Um vinho da Adega de Borba que, como é costume, apresenta um bom produto com um preço baixo. O vinho custa menos de 3 euros na Adega.
Um vinho feito de Aragonês e com tratamento em inox.
A cor é rosa escuro, quase avermelhado.
Aroma intenso e guloso, com notas de fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas. Ligeira nota vegetal e alegrar o conjunto.
Boca com volume mediano, tal como a acidez. Alguma doçura residual. Muito frutada e com uma ponta vegetal. Final mediano, com alguma doçura.
Um vinho bem feito, com um perfil muito frutado e adocicado, que o torna guloso e óptimo para aperitivo. Quem gosta de rosés docinhos, ligeiros, tem aqui uma boa escolha. 14,5.
publicado por allaboutwine às 14:48 | link do post | comentar

Monte da Peceguina tinto 2008

Monte da Peceguina é a gama de entrada deste produtor alentejano. Um vinho que não é propriamente barato, com um preço a rondar os 8 euros, não poderá ser considerado um vinho para o nosso dia a dia, pelo menos para a maioria dos consumidores de vinho.
Tenho provado este vinho desde a sua primeira colheita e confesso que sou um fã dele. Uma excelente imagem, um estilo muito frutado e guloso.
Esta é a colheita de 2008, que foi feita com as castas Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon e que teve um estágio parcial em barricas de carvalho francês durante 7 meses.
Sai da garrafa com uma cor escura, jovem.
Aroma com boa intensidade. Notas tostadas, chocolate preto amargo, fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas ácidas. Toque vegetal a lembrar pimentos.
Boca com bom volume e boa acidez. Muito frutada, tem a companhia de tosta, chocolate preto. Ligeiro toque vegetal. Bom final, guloso.
À semelhança dos anos anteriores, este vinho apresenta-se já prontíssimo a beber, com um perfil guloso, frutado, com alguma complexidade. Temos aqui a receita para o sucesso, com um vinho fácil mas não modesto, com um vinho moderno, jovem e urbano. Temos aqui a receita certa. 16.
publicado por allaboutwine às 12:50 | link do post | comentar
Segunda-feira, 26.10.09

Altas Quintas Crescendo tinto 2006

Em prova temos mais um vinho do projecto Altas Quintas, produtor que veio dar uma lufada de ar fresco na região norte alentejana.
Este vinho é feito essencialmente com a casta Aragonês, uma das mais utilizadas na região, juntamente com a Trincadeira e Alicante Bouschet. Em 2005, o Aragonês teve a companhia da Trincadeira. Já em 2006, foi acrescentado o Alicante Bouschet às outras duas castas. É vinificado em balseiros de carvalho francês e estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês.
A cor é escura, profunda.
Aroma intenso. Notas de fruta a lembrar cerejas e ameixas. Estas estão bem acompanhadas de baunilha e de um lado mais balsâmico, com notas de eucalipto.
Boca com bom corpo e com uma bela frescura. Continua num perfil muito frutado, agora na presença de tosta e também de baunilha. Aparece entretanto o lado mais vegetal, mais balsâmico, lembrando a sua origem. Final longo e com bastante frescura.
Temos aqui um vinho que é um filho da Serra de São Mamede. Alia a fruta elegante com a frescura característica da região e os balsâmicos que não podiam deixar de aparecer. Um vinho muito bem feito, aliás, como é apanágio deste produtor. 16.
publicado por allaboutwine às 13:13 | link do post | comentar
Domingo, 25.10.09

Antão Vaz da Peceguina branco 2008

A prova deste vinhos fez-me pensar nos brancos portugueses. O nosso clima mediterrânico permite-nos fazer brancos com qualidade? Bem sei que temos vários "climas" e vários terroirs e também castas capazes de oferecer vinhos brancos únicos, com grande capacidade de evolução, mas é um trabalho recente. O que a nossa concorrência faz há muito anos, começámos nós a fazê-lo recentemente. A moda dos brancos também ajudou a que os produtores olhassem para eles com outros olhos, com mais investimento enológico e melhor conhecimento das castas e também melhor trabalho com madeira.
As castas, essas, têm enorme potencial, e não tenho de pensar muito para lembrar-me de meia dúzia capazes de gerar grandes vinhos - Arinto, Alvarinho, Loureiro, Antão Vaz, Malvasia-Fina, Encruzado. O trabalho está a ser feito, e muito bem, os vinhos estão cada vez melhores e isso acontece de ano para ano.
Uma das castas que está na moda, e é uma moda recente, é o Antão Vaz. Uma casta nativa do Alentejo, mais precisamente da Vidigueira e que já se espalhou por toda a região. Não existe produtor que se preze que não a tenha na sua vinha.
Um desses casos é a Herdade da Malhadinha Nova, um projecto recente, mas de enorme qualidade. Este Antão Vaz faz parte do seu espólio de brancos. Foi vinificado e estagiado em inox.
Tem uma cor amarelo citrino intenso.
Aroma de médio intensidade e elegante. Notas frutadas de pêra, melão, maça. Lado mais exótico com abacaxi e maracujá. Fundo mineral.
Boca encorpada e com boa acidez. Confirma as notas frutadas do aroma e a mineralidade está bem presente. Final longo e fresco.
Temos aqui um branco com as características da casta, aqui na sua faceta mais austera, com a fruta a passar para segundo plano. Um vinho perfeito para a mesa e não vira a cara a pratos mais intensos e calóricos. 16,5.
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Sexta-feira, 23.10.09

Comenda Grande branco 2008

Depois do Comenda Grande tinto e do Polémico, provamos agora o branco do produtor de Arraiolos. Um branco que poderá não agradar a toda a gente, dado o seu perfil mais austero, com menos fruta da moda, intensa e gulosa. Abraçou antes um perfil mais sóbrio, também frutado, mas optando por aromas menos óbvios, como vamos ver.
As castas que entraram no lote foram o Antão Vaz, o Arinto e o Verdelho. Vinificação e estágio em cubas de inox.
Cor amarelo citrino.
Aroma de média intensidade. Notas de fruta tropical a lembrar manga, abacaxi, maracujá e algumas mais citrinas como toranja. Temos ainda um pouco de ameixas, com ligeiro bafo mais maduro, compotado.
Boca com bom volume e com boa acidez. Continua com a fruta tropical, também na companhia de fruta um pouco mais pesada, mais madura. Tudo num perfil agridoce. Bom final, com fruta a boa frescura.
Temos aqui um vinho que foge aos vinhos intensos e frutados, mas mantém durante a prova uma atitude mais moderada, com a fruta a aparecer, mas um pouco mais pesada, menos óbvia, mais austera. Feiro principalmente para acompanhar comida, onde se portará muito bem. 15,5.
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