Domingo, 14.02.10

Quinta do Monte D'Oiro Reserva tinto 2001

A Quinta do Monte D'Oiro é, talvez, o expoente máximo dos vinhos da região agora denomidada Lisboa.
José Bento dos Santos tomou conta de uma quinta que desde o século XVII era já conhecida pela qualidade dos seus vinhos.
O objectivo foi fazer vinhos de grande qualidade, de classe mundial e com sentido gastronómico. As castas escolhidas foram o Syrah (é conhecida a grande paixão de José Bento dos Santos pelos vinhos franceses do Rhone, onde esta casta melhor se exprime), Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot, Cinsaut e Viognier.

Os Quinta do Monte D'Oiro Reserva são feitos essencialmente com Syrah e um pouco de uma casta branca, cerca de 4% de Viognier, como também acontece com os vinhos do Rhone.
O vinho em prova é o Reserva 2001, que estagiou durante 24 meses em barricas novas de carvalho francês.
Tem uma cor escura, com toques acastanhados.
Aroma intenso e que nos transmite desde logo muitas notas balsâmicas, com muito verniz e cera (lembra-nos um soalho antigo e envernizado). A fruta está algo tapada, mas ainda conseguimos encontrar alguma compota por entre notas de tabaco e café.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Muito ampla, espacial, que nos confirma inteitamente o nariz. Muitos balsâmicos, tabaco e alguma compota. Final longo e intenso.

Temos aqui um vinho onde se nota bastante a sua evolução. Já perdeu grande parte da fruta e as notas balsâmicas intensificaram-se, tornando-se até omnipresentes, não deixando espaço para que outros aorma se mostrem. É um bom vinho, disso não restam dúvidas, pena ser algo unidirecional. 16,5.
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Sexta-feira, 12.02.10

Negreiros tinto 2005

Uma história como muitas outras no Douro. Uma Quinta pertencente a uma familia  que produz  vinho generoso e que depois o vende às grandes empresas de Vinho do Porto, neste caso à Cockburn's.
É na Quinta das Amendoeiras o quartel general dos vinhos Negreiros. Desde os meados do século passado nas mãos da familia, o caminho foi engarrafar o vinho produzido. Para isso remodelaram a adega e no ano de 2004 arrancaram para marca própria.

Começaram a fazer vinhos com a enologia de Anselmo Mendes, situação que foi alterada após as duas primeiras colheitas, passando a ser dirigida em 2007 por João Brito e Cunha.
Vão ser provados as duas colheitas que estão no mercado, 2005 e 2007, dois anos diferentes, dois enólogos diferentes.

Começo pela colheita de 2005. Um vinho feito com castas tradicionais do Douro, assim como Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional. Estagiou durantes 15 meses em barricas e carvalho francês.
Tem uma cor granada com boa concentração.
Aroma com boa intensidade, que começa por nos dar alugmas notas licorosas e achocolatadas. Depois o aroma leva-nos para um ambiente mais duro, mais rústico, com notas de vegetal seco. Continuamos com flores e fruta, que nos faz lembrar cerejas e framboesas.
Boca com bom corpo e uma boa acidez e com os taninos a transmitir alguma (boa) secura. A fruta aparece elegante com cerejas e groselhas, que domina praticamente o palato. Final longo e com boa frescura.

Gostei deste vinho. Tem perfil clássico, com a fruta e as notas vegetais mais austeras dos vinhos da região. Tem um sentido altamente grastronómico. Não é um vinho de provas mas sim para a mesa. 15,5.
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Quinta-feira, 11.02.10

Fritz Haag Brauneberger Juffer Riesling Kabinett branco 2005

Ando agora a começar a conhecer os vinhos brancos alemães, principalmente da região de Mosel. Depois deste último Verão ter provado alguns Dr. Loosen, comprei este Riesling depois de algumas boas opiniões de amigos e também para servir de acompanhamento de umas entradas.

Fritz Haag é um dos principais produtores da região de Mosel. Desde 1605 que existem registos da marca, ainda a cidade tinha outro nome, Dusemond. Ainda hoje, a vinha de 12 ha da Fritz Hagg é conhecida por "Dusemonder Hof".
Actualmente nas mãos de Oliver Haag, a casta Riesling, casta única no encepamento da casa, é muito bem tratada. São estonteantes os vinhos que de lá saem (e ainda não tive a sorte de provar os melhores!), muito elegantes, puros e complexos.

Impressionante é também a sua cor, citrina, muito límpida e cristalina.
Aroma com boa intensidade e que nos cativa logo com notas apetroladas bem combinadas com citrinos maduros e ligeiramente melados.
Boca com corpo mediano em com uma boa acidez. A doçura que ele tem envolve e arredonda muito bem o palato. Final com um bom comprimento e uma frescura ampla, que enche a boca com delicadeza.

O vinho deixou-me rendido. Por cerca de 15 euros podemos beber um branco muito elegante (isto é que é elegância!), cheio de finura. Deu-me prazer, foi dinheiro bem gasto. Que podemos querer mais? 16,5.
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Quarta-feira, 10.02.10

Azul Portugal (Terras do Sado) rosé 2008

Feito pela Cooperativa Sto. Isidro de Pegões e com a enologia de Jaime Quendera. A casta usada para este rosé foi o Castelão e ela foi vinificada em cubas de inox a baixas temperaturas e onde teve posteriormente um pequeno estágio.

Tem uma cor salmão escuro, brilhante.
Aroma com média intensidade, que nos lembra fruta vermelha com um toque adocicado, como morangos, groselhas e cerejas. Leve vegetal.
Boca com corpo mediano e boa acidez. Reflete o aroma, com sabores frutados e com um leve vegetal de fundo. Final mediano e com uma boa frescura.

Vindo de uma casa que já nos habituou a vinhos muito bem feitos, com preços imbatíveis, este rosé segue o mesmo caminho. Um vinho com um perfil ligeiramente adocicado mas bem compensado por uma boa acidez, este vinho mostra-se apto para variadas situações, tanto à mesa, como "vinho de esplanada". Mais um bom produto deste produtor. 15.
publicado por allaboutwine às 03:06 | link do post | comentar
Terça-feira, 09.02.10

Clos de los Siete tinto 2004

Clos de los Siete é o projecto do famoso enólogo Michel Rolland na Argentina. Clos de los Siete porque são sete os proprietários da quinta, todos eles franceses. Apesar de ser um projecto mais ou menos recente, as primeiras vinhas foram plantadas há cerca de 15 anos, entrou cedo nos píncaros do estrelato, não fosse o enólogo e um dos donos o, talvez, mais conhecido enólogo do mundo. Aliás, no rótulo do vinho aparece escrito "por Michel Rolland". Curiosa a forma como se desenrola o projecto. cada um dos sete donos têm, ou irão ter, a sua própria vinha e adega, mas é Michel Rolland quem dá assistência a todos eles, e os vinhos nascem de um blend das sete vinhas.
O tamanho da propriede colectiva é de 850 ha, metade dela plantada com Malbec e o restante com Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah.

Este vinho em prova tem no seu lote 50% Malbec, 30% Merlot e o restantes 20% divididos entre Cabernet Sauvignon e Syrah. Estágio em barricas de carvalho.
Tem uma cor granada muito escuro.
Aroma falador e profundo. Notas de fruta em passa,  a lembrar-nos cerejas maduras e ameixas em compota, passificadas (tipo ameixas de Elvas). Continuamos com aromas terrosos e ligeiro verniz.
Boca bastante encorpada e com boa acidez. Tal como no aroma, encontramos a fruta muito madura, em passa, na companhia de notas terrosas e ligeiro verniz. Final longo e complexo.

É certamente um vinho que não apanhamos todos os dias. Um vinho "novo mundo" com muita qualidade, complexo, Bem madurão mas com uma boa frescura a compensar.
É deitar os nossos complexos para trás das costas e começar a provar estes vinhos, que nos podem ensinar muito. Custa perto de 30 euros. 17.
publicado por allaboutwine às 14:05 | link do post | comentar

Azul Portugal (Tejo) branco 2008

Vinho feito pela Companhia das Lezírias, com a enologia de Frederico Falcão. Tem na sua composição as castas Fernão Pires e Arinto. Teve todo o tratamento (fermentação e estágio) em cubas de inox.

Tem uma cor citrina intensa.
Aroma de fraca intensidade, com notas que nos fazem lembrar flores brancas e fruta madura, onde encontramos uns citrinos a lembrar limão. Algum vegetal de fundo.
Boca com bom volume e boa acidez. Confirma o que encontrámos no nariz. Temos as flores, a fruta madura e o toque vegetal. Final mediano.

Temos aqui um vinho que, apesar de ser encorpado, tem um perfil leve. Apesar de pouco intenso é um vinho muito limpo, muito clean. São duas castas que não são muito aromáticas e este vinho mostra exactamente isso. Será boa companhia no nosso dia a dia ou para as petiscadas de Verão.14.
publicado por allaboutwine às 06:10 | link do post | comentar

Azul Portugal (Dão) Reserva tinto 2005

Vinho produzido por Anselmo Mendes, na sua incursão nos vinhos do Dão com a marca Only, cuja enologia é também do próprio. Um tinto feito com Touriga Nacional e Tinta Roriz e que teve uma fermentação com temperaturas controladas e posterior estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês.

Tem uma cor granada escura.
Aroma intenso, com entrada forte dos balsâmicos típicos da região (caruma, resinas). Depois passamos a sentir a fruta, toda ela elegante e com lembranças de morangos e framboesas e um curioso toque de frutos secos, com alguns figos em passa. Um lado mais guloso com baunilha e chocolate. As flores aparecem no fim, algumas delas secas.
Boca com corpo mediano, uma bela acidez e com os taninos activos. A fruta aparece de novo muito elegante, sem qualquer sinal de excessíva maturação, tal como o lado mais floral e as notas mais resinosas. Bom final, com ligeira secura.

Temos aqui um vinho muito bem feito, com perfil típico da região. É um vinho muito elegante, com uma frescura que nos puxa para a mesa, que cria água na boca. Um belo exemplar do Dão. 16.
publicado por allaboutwine às 05:30 | link do post | comentar

Azul Portugal (Bairrada) tinto 2006

Um vinho proveniente das Caves do Solar de São Domingos com a enologia de Nuno Bastos e Susana Pinho. Um vinho premiado com a "Commended Medal" no International Wine Challenge Londes 2009. Foi feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Baga. Processo tradicional de fermentação em contacto pelicular prolongado a temperatura controlada em pequenas cubas de inox.

Tem uma cor granada com boa concentração.
Aroma com boa intensidade com boas notas de fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas, tudo num perfil fresco e nada enjoativo. A par da fruta temos ainda um lado mais vegetal e um toque floral.
Boca com corpo mediano e com uma boa acidez. Ligeiramente mais vegetal que no nariz, acompanhada da fruta que encontrámos no aroma, vermelha, elegante. Final mediano e com boa acidez.

Temos aqui um vinho com um perfil que se aproxima do Bairrrada clássico, mas com toques modernos. O lado mais vegetal está bem acompanhado pela fruta elegante e algumas flores provenientes da Touriga Nacional. Está bem feito, é agradável e tem tudo, inclusivé o preço, para ter sucesso. 14,5.
publicado por allaboutwine às 02:14 | link do post | comentar

Wines and Winemakers / Azul Portugal


Azul Portugal é uma marca criada por um grupo de produtores nacionais com o objectivo de dar a conhecer os vinhos portugueses e, claro está, vende-los no exterior. É uma marca única que engloba praticamente todas as regiões vitivinívolas portuguesas, com vinhos de diferentes gamas, apontadas a diferentes mercados.

Quando tanto se fala no corporativismo, ou na falta dele, aparecem empresas que contraríam o triste fado português, que juntam esforços, que sabem que só assim poderemos vingar no exterior. Orgulhos retrógadas para trás das costas e visão empreendedora faz-nos falta. A Wines and Winemakers é um perfeito exemplo disso.

A empresa é constituída por 13 produtores, como já disse, de diferentes regiões portuguesas. Temos então a Adega Cooperativa de Mesão Frio (Douro), Caves de Solar de São Domingos (Bairrada), Fundação Abreu Callado (Alentejo), Quinta da Peça (Douro), Sociedade Agrícola Vale de Joana (Alentejo), Anselmo Mendes (Dão, Douro e Vinhos Verdes), Companhia das Lezírias (Tejo), Herdade da Ajuda (Alentejo), Quinta da Veiga da Casa da Capela (Alentejo), Casa Ermelinda Freitas (Palmela e Setúbal), Cooperativa Santo Isídro de Pegões (Setúbal) João Silva e Sousa (Douro) e Quinta das Touquinheiras (Vinho Verde).
A enologia está a cargo de alguns nomes conhecidos da nossa praça, assim como e entre outros, Anselmo Mendes, Jaime Quendera, Frederico Falcão e João Silva e Sousa.

Ao longo dos próximos dias irei provar e colocar no blog os vinhos Azul Portugal. Agradeço a colaboração da empresa para com a blogoesfera portuguesa de vinhos, em especial com o Pinga/mor.
publicado por allaboutwine às 01:32 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 08.02.10

Novo e-mail Pinga/mor

Caros amigos e amigas, para quem não reparou, o e-mail do Pingamor mudou. Agora é blogpingamor@hotmail.com.
Deveu-se a um problema informático grave, por isso não enviem mais mensagens para o anterior e-mail.
Muito obrigado
publicado por allaboutwine às 04:56 | link do post | comentar

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