Domingo, 15.11.09

Magusto com Alorna Abafado 5 anos


O vinho abafado é quando a fermentação do mosto é interrompida com aguardente, tornando o vinho doce e com teor alcoólico elevado.
Chegou a época das castanhas e nada melhor que um licoroso como este para acompanhar tal tradição. Um vinho que nos chega da Quinta de Alorna, um abafado que me fez sorrir.
Feito com uvas brancas tradicionais da região, é adicionada aguardente. Após estágio de 5 anos em barricas é engarrafado.
Tem uma cor âmbar.
Aroma intenso com muitas notas meladas e de frutos secos a lembrar figos, amêndoas e avelãs.
Boca gorda e com boa acidez. Confirma inteiramente o aroma. Encontramos sabores a mel e frutos secos. Final longo e saboroso
Temos aqui um vinho bem agradável, que acompanhou muito bem as castanhas assadas, mas que servirá perfeitamente como aperitivo ou para acompanhar doçaria variada. Uma boa aposta para o dia a dia. Cerca de 5 euros. 15,5.
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Quarta-feira, 11.11.09

Dueto alentejano da CARMIM


A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, vulgo CARMIM, foi criada em 1971 por cerca de 60 viticultores. Actualmente, 37 anos depois e com cerca de 1000 associados, é empresa líder no mercado. Vinhos como o Terras d'el Rei, produzidos em larga escala, encontram-se em praticamente todas as cartas da restauração. São vinhos baratos, eficazes e com mercado conquistado. Entre as 24 referências de vinho do produtor também existem marcas ícon, em segmentos diferentes, como o Garrafeira dos Sócios, um vinho de forte carácter elentejano e que desperta as melhores sensações.
Em prova temos dois vinhos monocasta, ambos de 2006, ambos com castas tipicamente alentejanas.

CARMIM Aragonês tinto 2008
Um monocasta de Aragonês e que estagia 6 meses em barricas de carvalho português e francês.
Tem uma cor rubi de boa concentração.
Aroma intenso e com boas notas frutadas a lembrar compotas de amoras, ameixas maduras e cerejas. Leve baunilha.
A boca é volumosa e com acidez mediana mas bem enquadrada. Mantém fruta que encontramos no aroma e um ligeiro toque metálico. Final longo e guloso.
Temos aqui um bom Aragonês, que se bebe com prazer, onde podemos encontrar a fruta gulosa, compotada, que nos dá a casta. Um vinho que se pode comprar por menos de 5 euros, o que o torna uma boa compra. 15.

CARMIM Trincadeira tinto 2008
Feito com a casta Trincadeira e estagiou 6 meses em barricas de carvalho português e francês.
Tem uma cor rubi escuro.
Aroma intenso, com muitas notas de fruta madura a lembrar ameixas, amoras, cerejas, compotas. Ligeiro vegetal.
Boca encorpada e com boa frescura. Muito frutada, a confirmar o aroma, a par de um ligeiro toque vegetal. Bom final, muito frutado.
Temos aqui um vinho um pouco mais complexo que o anterior, com as nuances mais vegetais a contribuir para tal. Gostei do vinho, muito fresco e apelativo. 15,5.
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Terça-feira, 10.11.09

Navazos Niepoort branco 2008

"Convenço-me mesmo que o grande trunfo dos vinhos de Jerez são mesmo os solos calcários, a Flor, e a casta Palomino que actua como catalizadora da minerialidade dos solos calcários. Assim, este vinhos foi eloborado a partir de uma vinho muito especial, que fermentou em botas de 500l, muito velhas. Fermentou naturalmente, com leveduras indígenas e sem controle de temperaturas. Estagiou sobre o Véu e a Bota durante 5 meses, para lhe conferir uma enorme frescura e carácter."

Estas palavras, da autoria de Dirk Niepoort, expressam perfeitamente o vinho que temos em prova.
Uma parceria entre o conhecido produtor duriense e o produtor espanhol, Equipo Navazos, um dos mais prestigiadas nomes de Jerez. Uma parceria com o fim de fazer um vinho de mesa, branco, através da casta com que se faz os Manzanillas, a Palomino. Seguiram o mesmo processo de vinificação, onde as leveduras autóctones da fermentação dão origem à flor e que após estágio nas características Botas (barricas de 500l), é engarrafado e apresentado ao público.
As primeiras impressões não foram consensuais, as opiniões divergiram, mas a curiosidade era muita e toda a gente queria experimentar o vinho. Provei-o em duas ocasiões diferentes e em ambas causou boa impressão. Um vinho completamente diferente do que costumamos beber, onde se notam os aromas a fermento, frutos secos, muitos minerais, principalmente notas salinas e toque floral. Boca de corpo mediano e boa acidez. Algo parca de sabor, nota-se os frutos secos e as notas minerais. Final mediano.
É realmente um vinho diferente, praticamente o oposto dos vinhos que se bebem hoje em dia. Um vinho que primeiro estranha-se, depois entranha-se, como diria o poeta. Sou um dos que gosta. 16.

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Domingo, 08.11.09

Cabriz Colheita Seleccionada tinto 2007

Falar de um vinho destes é fácil, fazê-lo com esta qualidade e quantidade é que está ao alcance de poucos. A Dão Sul é um desses produtores, que está sempre na linha da frente e que consegue tirar partido de um projecto muito bem feito, com pés e cabeça, começando a conquistar o mercado com vinhos com qualidade e bastante acessíveis. Agora no seu portefólio já encontramos topos de gama, muito caros e muito bons, como sinal de afirmação e consistência.
A Quinta de Cabriz foi o projecto pioneiro da Dão Sul, e este vinho em prova é o primeiro vinho, a gama de entrada do produtor. Com um preço inferior a 3 euros, é uma das melhores compras, e isto acontece ano após ano.
Feito com as castas Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional, estagia durante 6 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi escura.
Aroma com boa intensidade, onde se notam as flores a lembrar violetas, em companhia de fruta, onde aparecem notas de amoras, cerejas, framboesas, ginjas. Algum chocolate no meio de baunilha e ligeiro balsâmico.
Boca de corpo mediano e boa acidez. A fruta aparece entre as notas balsâmicas e alguma flores. Final mediano e saboroso.
Temos aqui um vinho muito bem feito, com um perfil ideal para agradar a muita gente. Dá uma prova fácil mas saborosa, com tudo muito redondo e prontíssimo para beber. A compra perfeita para o dia a dia. 15,5.
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Primeira Paixão Verdelho branco 2008

Agora falo de um projecto recente que surgiu na união de uns amigos do vinho. O Primeira Paixão nasce através do saber de dois grandes enólogos portugueses, Francisco Albuquerque e Rui Reguinga, e em boa hora o fizeram, como poderemos ver mais à frente.
Foram à Madeira buscar o Verdelho, uma casta polémica devido à sua nomenclatura. Mas este é o verdadeiro Verdelho, uma das castas usadas nos grandes vinhos, mas muito mal amados, da Madeira, e que dá origem a vinhos muito finos, frutados e frescos.
O vinho em prova é o Primeira Paixão 2008, feito exclusivamente com Verdelho e que estagiou em inox.
Tem uma cor amarelo citrino.
Aroma muito intenso. Notas citrinas a lembrar limão. As nuances mais vegetais vêm ao de cima, com notas de relva acabada de cortar, A fruta continua na versão mais exótica, onde podemos encontrar manga, kiwi, ananás e maracujá.
Boca com bom volume e muito fresca. Notas intensas de fruta, ora citrina, ora tropical, sempre na companhia de sabores vegetais. Final longo e muito fresco.
Provar e beber este vinho deu-me muito prazer. Um vinho muito intenso, muito fresco, com a casta em grande plano a mostrar todo o seu potencial. Faz-nos pensar porque será que não temos mais vinhos assim. Nota mais para a imagem, para o rótulo, que na minha opinião está belíssimo, muito apelativo.
Penso ser um projecto com tudo para dar certo, assim continuem os vinhos e assim continue o desejo de ser diferente e apresentar produtos distintos. Muito bem. 16,5.
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Sábado, 07.11.09

Redoma Reserva branco 2008

Chega-nos do Douro o vinho que é, seguramente, um dos melhores brancos portugueses. Algumas colheitas chegam mesmo à excelência e ao nível dos grandes vinhos brancos do mundo. O autor da proeza é Dirk Niepoort, um autêntico visionário e cujo nome é sinónimo de qualidade.
É um branco feito com vinhas velhas, com mais de 60 anos, plantadas a uma altitude entre os 400 e os 800m, onde as temperaturas são mais amenas e assim as maturações são mais longas e equilibradas, conseguindo assim uma maior frescura.
As uvas que entraram no lote foram o Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e Arinto. Após vinificação em barricas de carvalho francês, estagia por mais 9 meses nas mesmas.
Cor amarelo palha.
Aroma intenso, com notas tostadas e ligeiramente fumadas. Depois aparecem flores e notas minerais. A fruta aparece a lembrar citrinos, com limão e laranja. Continua com frutas de caroço, principalmente ameixas.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Notas tostadas, com toques de baunilha, flores e fruta. Fundo mineral. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho com muita qualidade. Estrutura e profundidade muito boas, um grande equilíbrio com a acidez, a juntar a bela complexidade. Apesar de encorpado, ele não é nada pesado, num conjunto muito equilibrado e que neste momento já dá muito prazer, apesar de não virar a cara a uns anos pela frente. Um belo branco português. 17,5.
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Sexta-feira, 06.11.09

Soalheiro Alvarinho Primeiras Vinhas branco 2008

Muito se falou e fala deste vinho. Depois da estreia com a colheita de 2006 e com o excelente 2007, quase que estávamos em suspenso à espera da nova colheita.
A marca Soalheiro é um dos melhores brancos da região dos Vinhos Verdes e mesmo de Portugal. São brancos que não facilitam, antes mostram o lado mais austero do Alvarinho, onde a fruta não reina, mas sim a mineralidade e as notas mais vegetais. São vinhos que aguentam bem em cave e que são um deleite para qualquer enófilo que se preze.
Em 2006, em parceria com Dirk Niepoort, é lançado pela primeira vez o Primeiras Vinhas. Como diz o nome, é um vinho feito com as primeiras castas de Alvarinho plantadas pelo produtor. Um vinho que não passa por madeira e que procura transmitir todo o potencial da casta.
Tem uma cor amarelo citrino.
Aroma fino e intenso. Nota-se uma grande austeridade, onde aparecem citrinos com lima e limão, muitos minerais, pedregoso, fumados.
Boca com bom volume e uma excelente acidez. Continua com as notas citrinas, agora acompanhadas de ananás e muito mineral. Final longo e muito fresco.
Não é um vinho fácil. Ao contrário do 2007 que, apesar da austeridade que tinha, conseguia transmitir a intensidade e a fruta típica do Alvarinho, este 2008 é muito fechado, muito austero, onde somente sentimos o seu lado mais sisudo. Temos aqui um vinho com um longo futuro pela frente, com muita qualidade, mas que neste momento, está uns furos abaixo do 2007. Talvez seja unicamente uma questão de gosto. 17.
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Quarta-feira, 04.11.09

Adegaborba.pt Reserva rosé 2008

Este foi o meu companheiro de verão. Um vinho da Adega de Borba que, como é costume, apresenta um bom produto com um preço baixo. O vinho custa menos de 3 euros na Adega.
Um vinho feito de Aragonês e com tratamento em inox.
A cor é rosa escuro, quase avermelhado.
Aroma intenso e guloso, com notas de fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas. Ligeira nota vegetal e alegrar o conjunto.
Boca com volume mediano, tal como a acidez. Alguma doçura residual. Muito frutada e com uma ponta vegetal. Final mediano, com alguma doçura.
Um vinho bem feito, com um perfil muito frutado e adocicado, que o torna guloso e óptimo para aperitivo. Quem gosta de rosés docinhos, ligeiros, tem aqui uma boa escolha. 14,5.
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Monte da Peceguina tinto 2008

Monte da Peceguina é a gama de entrada deste produtor alentejano. Um vinho que não é propriamente barato, com um preço a rondar os 8 euros, não poderá ser considerado um vinho para o nosso dia a dia, pelo menos para a maioria dos consumidores de vinho.
Tenho provado este vinho desde a sua primeira colheita e confesso que sou um fã dele. Uma excelente imagem, um estilo muito frutado e guloso.
Esta é a colheita de 2008, que foi feita com as castas Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon e que teve um estágio parcial em barricas de carvalho francês durante 7 meses.
Sai da garrafa com uma cor escura, jovem.
Aroma com boa intensidade. Notas tostadas, chocolate preto amargo, fruta vermelha a lembrar morangos e framboesas ácidas. Toque vegetal a lembrar pimentos.
Boca com bom volume e boa acidez. Muito frutada, tem a companhia de tosta, chocolate preto. Ligeiro toque vegetal. Bom final, guloso.
À semelhança dos anos anteriores, este vinho apresenta-se já prontíssimo a beber, com um perfil guloso, frutado, com alguma complexidade. Temos aqui a receita para o sucesso, com um vinho fácil mas não modesto, com um vinho moderno, jovem e urbano. Temos aqui a receita certa. 16.
publicado por allaboutwine às 12:50 | link do post | comentar
Terça-feira, 03.11.09

Quinta dos Quatro Ventos tinto 2006

Continuamos na Aliança, agora no Douro na região de Numão, Douro Superior. É lá que fica a Quinta dos Quatro Ventos, uma quinta centenária, pertencente à Aliança. São 45 hectares plantados com s castas tradicionais. Temos Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Tinta Amarela. Daqui saem os vinhos Foral e Quinta dos Quatro Ventos, ambos colheita e reserva. Aqui provamos o colheita 2006, um tinto feito com Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês e russo. Nota ainda para a quantidade produzida. São 100.000 garrafas deste vinho, um número bem elevado para o panorama português e principalmente pela qualidade que apresenta colheita após colheita.
Tem uma cor escura.
Aroma intenso, onde se destacam as notas de fruta escura a lembrar ameixas, amoras e ginjas. O ambiente é tostado de onde aparecem, algo escondidas, notas de flores a embelezar o conjunto.
Boca gorda e com boa acidez. Boa fruta, elegante, a confirmar o aroma. Fumados, tosta e algumas flores dão forma e complexidade ao conjunto. Final longo e bastante apetecível.
Temos aqui um vinho com uma bela complexidade, num conjunto bem composto, elegante, fino. Com um preço a rondar os 10 euros, é uma escolha certa para quem quer qualidade elevada sem gastar muito dinheiro. Venham mais vinhos assim. 17.
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