Terça-feira, 15.09.09

Quinta das Marias tinto Lote 2006

Peter Viktor Eckert é um suiço radicado em Portugal. Amante do bom vinho, decidiu investir no Dão e comprou a Quinta das Marias. Hoje é um dos principais impulsionadores da região, com vinhos muito apelativos, numa mescla entre a finura dos vinhos do Dão e a modernidade. Um produtor que está em alta, com vinhos cheios de qualidade numa região em crescendo.
Este vinho em prova teve uma colheita manual em caixas de 20 kg, desengaço das uvas. Fermentação e maceração em lagares de granito com pisa. Fermentação maloláctica e estágio de 11 meses em barricas de carvalho francês (Allier) e americano. Um terço dos pipos são novos, um terço no segundo e um terço no terceiro ano. As castas deste 2006 são a Touriga-Nacional, Tinta-Roriz e Jaen.
Tem uma cor rubi escuro. Aroma com boa intensidade. Notas florais a lembrar violetas, juntamente com a fruta tipo cerejas e amoras. Baunilha e ligeiro chocolate. Boca com bom corpo e bela acidez. Boa convivência entre a fruta, a baunilha. Toques achocolatados. Bom final, frutado e guloso.
Um vinho que impressiona pelo seu conjunto, muito apelativo, com toque moderno mas com a elegância desta região. Gostei do estilo, que para mim é um belíssismo vinho dentro desta gama de preço, 6 euros. Recomendo vivamente. 16.
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Quinta-feira, 10.09.09

Couteiro-Mor rosé 2006

A prova deste rosé fez-me pensar quanto tempo aguentará um vinho deste tipo em garrafa, se são vinhos que se portam bem passados 2,3,4 anos após o seu engarrafamento.
Sabemos que são vinhos para serem bebidos jovens, para assim aproveitar todo o explendor da fruta primária e gulosa. Este rosé alentejano de 2006 foi feito com as castas Touriga Nacional e Aragonês e foi vinificado através de bica aberta. A enologia está a cargo de Jorge Páscoa e António Melícias. Vejamos então o estado dele.
Cor tijolo carregada. Aroma intenso, com notas de fruta madura e lembrar morangos e framboesas. Ligeiro floral. Boca de médio porte e boa acidez. Sabor frutado e ligeiramente alcoólico. Final longo, com ponta de álcool.
Temos aqui um vinho que ainda se encontra em boas condições, sem perder a fruta e a frescura. Será preciso atenção à temperatura, já que o álcool encontra-se à espreita. Não guardar por muito mais tempo. 14,5.
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Terça-feira, 08.09.09

Festa do Vinho do Dão / Nelas 2009

Desta vez não perdi. Todos os anos adio a vinda à grande festa dos Vinhos do Dão, mas este ano aproveitei as restantes férias para ir visitar familiares da região, e claro, provar as novidades daquela região muito especial. Foram uns dias em grande.





Acedi ao convite da organização para um Press Release seguido de um almoço no restaurante Bem Haja, em Nelas. Estavam presentes jornalistas das revitas de vinhos de Portugal, de jornais locais, da Confraria de Vinhos do Dão e dos blogs de vinho portugueses. Neste último caso, só eu estive presente no evento. A apresentação foi feita por João Paulo Silva (Confraria de Vinhos do Dão) e João Paulo Gouveia (enólogo e Grão Mestre da Confraria). Um breve introdução à região, às suas características e aos seus vinhos. Esclarecedor.






Passámos ao almoço. Várias entradas regionais saborosas, seguidos dos pratos principais, de peixe e carne. Tudo num registo regional e tradicional. Estavam ótimos. Os vinhos para acompanhar estas iguarias foram escolhidos pelos organizadores, vinhos do Dão, claro.


Deixo aqui um breve registo dos vinhos provados:



Quinta do Cerrado Encruzado branco 2008 - Cor amarela pálida. Aroma de média intensidade, onde se destacam as notas citrinas, minerais e florais da castas. Bom corpo e boa acidez. A boca confirma o aroma. Belo final, com boa frescura. 16.


Casa de Santar Reserva branco 2008 - Um perfil diferente. Cor amarelo carregado. Notas intensas de madeira, baunilha, bem conjugado com a fruta citrina e exótica e com toques florais. Fundo mineral. Boca gorda e com boa acidez. Fruta, flores e baunilha marcam o palato. Final longo e guloso. 16,5.


Boas Vinhas tinto 2008 - Uma novidade. Cor rubi escuro. Notas elegantes de fumo, minerais e fruta fresca, como amoras e cerejas. Boca de médio porte e boa acidez. Muito frutada. Um vinho perfeito para o dia a dia já que vai andar na casa dos 3/4 euros. Um Dão para beber cedo. 15,5.


Quinta de Pinhanços Reserva tinto 2007 - Uma novidade de Álvaro Castro. Além deste Reserva existe o Colheita. Vai rondar o 8/9 euros. Cor rubi intensa e brilhante. Aroma complexo, com notas florais, balsâmicas, baunilha e fruta (amoras e cerejas). Boca com bom corpo e boa acidez. A boca confirma o que encontramos no aroma. Mais um belo vinho deste produtor, da única Quinta onde ainda não tinha vinhos. Cá estão eles. 16/16,5.


Quinta dos Roques Reserva 2003 - Um vinho já conhecido por mim, um amigo. Está numa fase muito boa. Complexo, com notas balsâmicas, caruma, resinas, fruta deliciosa como cerejas. Encorpado e fresco. Belíssimo vinho do Dão. A guardar. 17.




Um belo almoço e excelente companhia. A conversa fluiu, saltaram opiniões e estilos de vinhos, falou-se do futuro da região e o caminho a seguir. Unânime foi a qualidade dos vinhos da região, cada vez melhores.








Passou-se a uma prova organizada pelo escanção Manuel Moreira e patrocionada pela revista Wine. Os vinhos foram escolhidos pelo próprio e a ideia era prova-los e falar um pouco deles e da região em si. Ficou a ideia que Manuel Moreira é fã dos vinhos do Dão, vinhos esses que consideram muito gastronómicos. Estão sempre presentes nas cartas onde faz assessoria e no seu próprio restaurante. Bateu-se muito pelos acompanhamentos para estes vinhos, pelas sua propostas e o debate foi muito bem conseguido. Passemos aos vinhos provados, novidades do Dão.





Grilos branco 2008 - Cor muito clara. Aroma fino, com notas citrinas, minerais e flores. Boca muito fresca e de médio corpo. Com a subida de temperatura aparecem notas mais tropicais, de banana. Bom vinho. 15.


Morgado de Silgueiros branco 2008 - Um branco de Adega, aqui a mostrar que também se fazem bons vinhos nas Adegas do Dão. Cor citrina, com aromas um pouco mais pesados, com fruta madura, flores e toque vegetal. Boca com médio porte e boa acidez. Confirma os aromas do nariz. Bom final. 15.


Quinta do Cerrado Malvasia Fina branco 2008 - Cor amarela esbatida. Aroma mais delicado que os anteriores. Notas vegetais de chá, flores, e fruta a lembrar peras verdes. Boca com boa acidez e com corpo mediano. Ligeiramente adocicada e com sabores a chá e flores. Gostei. 15,5.


Nelus tinto 2007 - Uma autêntica surpresa. Um vinho que não chega a custar 2 euros. Fruta viva, flores, num perfil muito moderno. Comprar às caixas. 15.


Quinta das Estrémuas Touriga Nacional tinto 2005 - Cor escura. Aroma intenso, com notas de flores, fruta madura, especiado. Boca encorpada e com boa frescura. Sabores florais e frutados. Fundo abaunilhado. Um vinho moderno, um bom Touriga do Dão. 16,5.


Barão de Nelas tinto 2008 - Uma boa surpresa. Um vinho moderno, com notas de fruta madura, flores secas. A boca confirma o aroma. Encorpado e fresco. Temos aqui um barão bem moderno mas sem perder as características do Dão. 16.






Depois de jantar em família, passeámos pela feira. Foi motivo para provar as novidades do Dão.
Apenas algumas notas e pareceres, onde se provaram vários vinhos, alguns deles em condições difíceis (copos, temperaturas).
Tentei provar vinhos que ainda não tinha provado e produtores que não conhecia.
Comecei por um espumante rosé que ainda não tinha provado, o Quinta dos Carvalhais Reserva 2005. Um belíssimo espumante, muito frutado e floral, o topo dos espumantes rosé de Portugal. Andei em produtores como a Quinta da Espinhosa, com vinhos de belo efeito, passei pela Quinta dos Roques, onde provei vinhos que ainda não conhecia, tais como o recente Encruzado 2008, um vinho de belíssimo efeito mas ainda um pouco marcado pela madeira. Provei ainda o Alfrocheiro 2007, a meu ver o melhor exemplar da casta, o Touriga Nacional 2007, um vinho muito floral, acompanhado de fruta e baunilha. Os taninos estão ainda um pouco rebeldes. Um belo vinho. Segui para o Jaen 2006, muito bem conseguido (falámos na versão espanhola desta casta e do seu futuro) e acabei no Reserva 2003 das Maias, de uma vinha que já não existe. Muito bom. Na Casa de Santar, provei o Touriga Nacional 2006, um vinho que não se encontra facilmente. Um vinho floral e de perfil muito balsâmico, com notas de caruma e resinas. Passei a outro produtor quase desconhecido, a Casa da Ínsua, onde provei desde o branco colheita 2007, um vinho de belo efeito e que tem a casta Semillon no seu blend, o rosé 2008, bom, o tinto colheita 2005, fechado, e os Reserva 2003/04/05. São vinhos que têm a casta Cabernet Sauvignon no seu blend. São vinhos muito duros, que precisam de alguns anos para se mostrar. Continuei na Quinta do Carvalhão Torto, que foi uma bela surpresa. Vinhos belíssimos e que vou acompanhar com muita atenção. Dos melhores da feira. Passei à Fonte Gonçalves, onde os vinhos estvam muito quentes, tornando-se quase impossível a prova. A Quinta do Mondego confirmou o seu belíssimo Munda 2006, um grande vinho do Dão. Outro produtor que não conhecia os seus vinhos, a Casa Monte Aljão. Depois do colheita 2004, de muito bom nível, o branco colheita 2008, feito de vinhas velhas, com fortes aromas a frutos secos e belíssima acidez, veio a surpresa da noite, o Monte Aljão Raro 2004, um senhor vinho, um autêntico blockbuster com um preço de 15 euros. Os vinhos da Quinta do Margarido sofriam do mesmo mal de outros, temperaturas muito quentes. A Quinta da Fata foi pelo mesmo caminho. Outra surpresa foi o Quinta D'Amigo tinto 2007, um belo vinho. Conheci ainda um vinho, o Flor de Nelas 2008, que se mostrou uma boa opcção para o dia a dia.




A convite do Arq. José Perdigão, fiz uma prova completa dos seus vinhos. Impressionante a qualidade e consistência dos seus vinhos. Passo a descrever.
Rosé 2008 - Aroma intenso e fruta gulosa acompanha de flores. Gostei muito. 16/16,5.
Colheita 2006 - Belo aroma, com fruta e flores e uma boca a condizer. Uma das melhores escolhas neste nível de preços. 16.
Alfrocheiro 2007 - Belo aroma, delicado e cheio de fruta. Elegante. Muito bem, ao nível dos melhores desta casta. 16,5.
Reserva 2005 - Aroma intenso, profundo. Muita fruta, flores, bergamota, mineral. Boca encorpada e fresca. Confirma o nariz com toques abaunilhados. 17/17,5.
Touriga Nacional 2006 - Belo aroma, flores, fruta gulosa, ligeiro balsâmico. Boca gorda e bela acidez. Um grande Touriga. 17/17,5.
Acabei assim a caminhada pela feira. Foi a prova viva que o Dão está bem e recomenda-se.
Até para o ano.
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Segunda-feira, 07.09.09

Visita à Casa de Darei

Um pouco da história





O projecto arranca quando José Ruivo Machado, homem apaixonado pelo vinho, comprou uma propriedade com 150 hectares nas margens do rio Dão, entre Penalva do Castelo e Mangualde, onde existia um solar setecentista, nessa altura em muito mau estado. Estavamos no ano de 1997.






Passou-se ao restauro do solar e também das casas que antigamente serviam de apoio à casa principal e de aposentos aos serviçais. Agora estão aptas para receber o mais exigente turista.






Actualmente a família Machado reside na casa principal, ficando as restantes casas para o Turismo Rural, faceta muito importante deste projecto, que agora arranca em grande estilo.




O vinho







O projecto vínico arranca com cerca de 1 hectar de vinha junto ao rio Dão, a beijar o rio. Vinha essa, plantada com essencialmente Alfrocheiro. Hoje, a vinha tem 12 anos. O primeiro vinho nasce em 1999, com uvas compradas para juntar às próprias (poucas) que existiam. Nasce assim a marca Lagar de Darei. Em 2003 e após libertação do terreno, são plantados mai 4 hectares de vinha, agora com Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen, Encruzado, Malvasia, Bical, Cercial Verdelho e Arinto. A quantidade á pouca e para entrar nos mercados externos tinham de entrar com quantidade. A solução foi a criação de uma outra empresa, a Vinhos de Darei, Lda, uma empresa que compra e vende vinhos. Compram vinho a terceiros, engarrafam e vendem. Assim foi solucionado um problema com os vinhos de entrada, com o volume. A equipa responsável pelos vinhos são: Júlio Lopes (produção), Sérgio Moreira (viticultura) e Pedro Pereira (enologia).



Os vinhos








Existem duas marcas principais, o Rodeio e o Lagar de Darei. Ambas as marcas têm a versão Reserva. Centremo-nos agora no Lagar de Darei. Os brancos e tinto DOC, mais simples, são feitos com uvas próprias e compradas. Os Reserva e Grande Escolha são feitos só com uvas da Quinta. Os brancos fermentados em tonéis e estagiados em barricas de carvalho de várias proveniencias. Os tintos fermentam nos depósitos e também têm estágio em barricas. São vinhos que saem para o mercado após longo estágio em garrafa.

A prova

Júlio Lopes tinha uma prova preparada para mim. devo dizer que foi em grande estilo. Foram provados os Colheita 2008 (braco e tinto), o branco Grande Escolha 2008 e o Reserva tinto 2004. A prova foi comentada por Júlio Lopes.






Lagar de Darei branco 2008 - Cor clara. Aroma com boa intensidade, com fruta de polpa branca, flores, mineral, citrinos a algum mel. Boca de médio porte e bela acidez. Um vinho com um belíssimo preço, cerca de 3 euros, para a qualidade que tem. 15.


Lagar de Darei tinto 2008 - Cor rubi escura. Nariz intenso, com balsâmicas tipicos do Dão. Pinheiros, eucaliptos e resinas. Fruta vermelha a lembrar morangos e groselhas. Boca com bom corpo e boa acidez. Continua balsâmico e frutado. Um perfil muito "Dão", elegante e bom para acompanhar comida. Bem feito. 15.


Lagar de Darei Grande Escolha branco 2008 - Cor citrina. Aroma intenso e fino. Minerais, citrinos, flores. Boca encorpada e belíssima acidez. Citrinos, pólvora. Um belo vinho do Dão, perfeito para guardar na garrafeira. 17.


Lagar de Darei Reserva tinto 2004 - Cor rubi. nariz intenso com notas balsâmicas, baunilha e fruta a lembrar cerejas e amoras. Boca encorpada e com boa acidez. Taninos ainda bem activos. Balsâmicos, fruta e baunilha. Um belo vinho do Dão, complexo e ainda com muito para dar. 16,5.









Um belo projecto em terras do Dão. Condições muito boas para o turismo, bom vinhos, boas pessoas. Vale a pena.

Resta-me agradecer ao Sr. Júlio Lopes a sua amabilidade e paciência.

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Domingo, 06.09.09

Alguns "aromas" do Dão






Cascas de Chicharos











Lenha de Pinheiro











Granito "camuflado"









O rio com as vinhas
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Terça-feira, 01.09.09

Altano Reserva tinto 2005

Temos em prova uma das marcas de vinho de mesa do Grupo Symington. A gama Altano.
A família Symington é orgulhosa proprietária de alguns dos melhores vinhedos no Norte de Portugal, incluindo várias quintas nas margens do majestoso Rio Douro. Uvas destas propriedades, detentoras da mais elevada classificação qualitativa do Douro - 'letra A' - são recebidas, escolhidas à mão e vinficadas na principal adega da Symington, Quinta do Sol, sobranceira ao Douro, resultando o Altano Reserva duma apurada selecção destas.
As castas que compõem este reserva são a Touriga Franca (75%) e a Touriga Nacional (25%). Este vinho foi engarrafado em Agosto de 2005 após um estágio de nove meses em barricas de 400 litros de carvalho francês e americano.
Resta dizer que comprei este vinho por 5 euros, quando ele custa perto de 15. Pergunto como isto pode acontecer. Quem ganha é o consumidor e neste caso, eu.
Cor rubi escura. Aroma intenso com muita fruta, a lembrar groselhas, morangos maduros, alguns figos secos. Tem especiarias a lembrar pimenta preta. Aparece também chocolate preto, e um lado mais floral, com estevas. Fundo mineral. Boca encorpada e com boa acidez. Fruta com toque de cheesecake, chocolate e um toque floral. Final longo e saboroso.
Temos aqui um belo vinho, saboroso, complexo, já com tudo no lugar. Prontíssimo a beber. Geralmente tem uma bela relação preço/qualidade, mas neste caso, por cerca de 5 euros, é imbatível. 16,5.
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