Quarta-feira, 15.07.09

Montes Claros Reserva branco 2007

É um vinho que tenho seguido nestes últimos anos, desde que descobri o gosto por isto, desde que me tornei enófilo. Um vinho que, geralmente, pelo que custa, é uma bela compra, uma compra sempre segura.
Tem um perfil, também devido ao estágio em madeira, que lhe permite acompanhar pratos um pouco mais puxados e complexos.
Esta versão de 2007 tem as castas tradicionais do Alentejo, Arinto, Roupeiro e Antão Vaz. Após estágio em madeira e em garrafa, sai para o mercado com um preço a rondar os 5 euros.
Cai no copo com uma cor amarelo citrino. Aroma de intensidade mediana com notas de fruta citrina a lembrar limão e lima e depois maça e pêra num toque mais maduro. Leve bafo tropical a lembrar manga. Ligeiro tostado e fundo abaunilhado. Boca de corpo mediano e boa acidez. Muito frutada, com citrinos e tropicais em grande plano. Fundo abaunilhado e com ponta de álcool. Bom final, com boa frescura.
Temos aqui um vinho bem feito, com um bom entendimento entre a fruta e a madeira, envolvidos num bom corpo e boa acidez. Não podemos deixar a temperatura subir muito, onde o álccol se encontra à espreita. Fora isso, é uma boa aposta. 15,5.
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Terça-feira, 14.07.09

Porta dos Cavaleiros tinto 2006

“ Nas Caves de S. João
Está um altar
Com o S. João exposto
Pra quem lhe quiser rezar.

Diz a lenda que o santo,
Depois de muito pregar,
Foi ali beber um copo
Prá alma retemperar.

Ao erguer a sua taça
Ele disse com simpatia:
- Nunca bebi melhor vinho,
É uma categoria!

E a todos os presentes
Disse o santo entusiasmado:
- Bebei bem, que igual a este
Não se encontra no mercado.”

Agora viramo-nos para um clássico do Dão, o Porta dos Cavaleiros. Com uma história riquíssima nos vinhos de mesa que percorreu os anos 40 até aos dias de hoje, tendo no entanto atravessado um longo período fora das escolhas dos enófilos portugueses. Marcas como Frei João, Caves São João e Porta dos Cavaleiros faziam a delícia de quem os bebia e ainda hoje muitos deles estão em ótimas condições de consumo e alguns objecto de grande procura e mesmo de colecção. Verdadeiros ícons. Hoje em dia esses vinhos parecem querer voltar à ribalta, voltar às mesas dos portugueses. Em prova temos o Porta dos Cavaleiros 2006, um vinho feito com as castas características do Dão, 40% Touriga Nacional, 25% Alfrocheiro, 25% Aragonês (Tinta Roriz) e 10% Jaen. É engarrafado após estagio em inox e em garrafa. Apresenta uma cor rubi escura. Aroma de boa intensidade com notas balsâmicas a lembrar eucalipto e resinas. A fruta aparece delicada e vermelha, onde nos mostra framboesas e morangos maduros. Fundo floral. A boca é de médio porte e com boa acidez. Permanecem as notas balsâmicas a par de fruta e algum floral de fundo. Final mediano e elegante. Temos aqui um vinho característico do Dão, nota-se bem a sua proveniência, não engana. Um vinho calmo, sem excessos e feito para a mesa. Bom vinho para o dia a dia, um vinho um pouco longe da moda, longe da fruta gulosa mas bem agradável. 15.

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Segunda-feira, 13.07.09

Quinta Vale D. Maria tinto 2003

Quantas vezes nos apetece ir á garrafeira e escolher um belo vinho, um vinho que não podemos beber todos os dias (pelo menos eu), um vinho que está nos pincaros das escolhas dos consumidores e um dos mais requizitados da era moderna da enófilia portuguesa? Um dos nomes grandes da categorizada associação de produtores durienses, os Douro Boys, que em pouco tempo ajudaram a transformar a região num dos spots mais efervescentes e bem falados nos tablóides internacionais. Sabe bem poder escolher um vinho destes, sabe bem poder abrir uma garrafa de um néctar destes, nem que seja pela auto-estima e num tom mais envergonhado, um certo orgulho e vaidade ao faze-lo. Quem nunca teve momentos destes que atire a primeira pedra.
Quando em 1973 Cristiano van Zeller alugou a Quinta Vale D. Maria, já depois de deixar a Quinta do Noval e então contribuir para o desenvolvimento e revolução dos vinhos de mesa do Douro, já sabia que tinha em mãos uma magnífica matéria prima para realizar o seu sonho. Esta Quinta já tinha contribuído de forma decisiva para produzir alguns dos melhores Portos de Smith Woodhouse. A reconstrução e recuperação das velhas cepas e de todo o tipo de contruções foi trabalho árduo, mas valeu a pena. É actualmente um dos nomes grandes do Vinho do Porto e Douro. A produção de vinhos de mesa começa em 1996 e a partir daí foi sempre em crescendo.
O vinho em prova é da colheita e 2003, um belo ano no Douro, um ano Vintage. As castas utilizadas foram a Tinta Amarela, Rufete, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Francesa, Touriga Nacional, Sousão, e muitas outras. Estagiou em barricas de carvalho francês.
Tem uma cor bem escura. Aroma intenso, com notas muito frutadas, com ameixas, cerejas e framboesas. Continua com notas fumadas e minerais com a companhia de chocolate preto e de grãos de café. A boca é encorpada e com uma bela acidez. Tal como no aroma, continuam as notas frutadas e de chocolate e café. Final muito longo, complexo e saboroso.
É um vinho com qualidade notória, fácil de agradar, com tudo no sítio. Não será um expoente máximo de complexidade e grandiosidade, mas demonstra muito bem o que é o Douro e o explendor dos seus aromas. É impossível não gostar. 17.
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Domingo, 12.07.09

Grou tinto 2004

Vamos falar de mais um topo alentejano. Um vinho de uma região diferente, uma região onde o solo é arenoso, o clima é típico do norte alentejano, quente, com maturações precoces. Um vinho de Cabeção, perto de Mora, onde se faz vinho há muito tempo mas que não está inserida em nenhuma sub-região vitivinícola.
A quase totalidade dos solos de produção vinícola pertencem à família Nunes Barata. Um património muito antigo, com vinha desde 1836, que dois jovens herdeiros resolveram recentemente recuperar. Para isso convidaram o viticultor Rogério Castro e o enólogo Anselmo Mendes, ambos vindos da região dos Vinhos Verdes para abraçar este projecto. Para Anselmo Mendes é mesmo a primeira incursão na regiao alentejana e o convite foi para fazer vinhos diferentes do que se fazia na região, considerados muito rústicos e típicos de taberna.
Apresentado em garrafa borgonhesa, pesada, tem as castas características do norte Alentejo, Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês. Estagia em barricas de carvalho francês e seis meses em garrafa antes de sair para o mercado.
Brinda-nos com uma cor escura, carregada. Notas de fruta madura como cerejas e ameixas e também em passa. Depois vêm as notas de chocolate preto acompanhadas de couro e de folhas de tabaco. Fundo mineral, terroso. Boca encorpada e com bela acidez. Continuam as notas de fruta madura e passificada, chocolate preto e mineral. Final de boca longo, complexo e guloso.
Temos aqui um grande vinho alentejano, potente, mas ao mesmo tempo fresco. Desde que o provei aquando do seu lançamento, perdeu os aromas químicos que tinha e ganhou fruta madura e passificada como sinal de boa evolução. Tem uma bela compexidade e profundidade própria dos grandes vinhos. Está numa bela fase e ainda tem muito para dar. 18.
publicado por allaboutwine às 12:14 | link do post | comentar

Entrevista - Luis Lourenço / Quinta dos Roques

A Quinta dos Roques é um dos nomes maiores do Dão. Um nome que ajudou a região a voltar a estar entre as escolhas dos consumidores, que ajudou a reanimar uma região durante muitos anos moribunda.
É Luis Lourenço quem está à frente deste projecto familiar. De extrema simpatia, muito afável e de forte personalidade, aceitou prontamente ser entrevistado para este blog. Deixo aqui o seu projecto, as suas ideias e opiniões.
É a segunda entrevista do blog e desde já agradeço a Luis Lourenço a sua disponibilidade para responder a estas perguntas.






Depois da fase atribulada que o Dão passou nos anos 80 e 90, a Quinta dos Roques foi uma das principais alavancas para a retoma da região. Conte-nos um bocado da sua história e como foi o arranque do seu projecto.
A história da Quinta dos Roques é uma história como tantas outras no Dão: uma família com algumas parcelas, uma agricultura “multi-produto” e que a certa altura se confronta com a necessidade de tornar viável a sua exploração.
Tendo-se decidido pela produção de vinho, o primeiro passo, em 1978, foi o de plantar vinhas segundo as mais modernas técnicas mas mantendo um encepamento com base exclusivamente nas castas tradicionais – Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro e Tinta Roriz às quais juntámos o tinto Cão no que diz respeito às tintas e Encruzado, Malvasia Fina, Bical e Cercial em brancas.
Em 1990 construímos a nova adega e a partir daí começámos a engarrafar os nossos vinhos.
Aproveitando os conhecimentos do mercado internacional que o meu sogro, Manuel Oliveira, tinha, apostámos desde o início fortemente na exportação, sendo que presentemente exportamos cerca de 85% da nossa produção que varia entre as 120.000 e 150.000 garrafas/ano.
Os mercados mais importantes são o Canadá, Japão, EUA, Bélgica e Portugal.
Quais são as principais características dos seus vinhos, do “seu” terroir?
Se eu quisesse caracterizar os vinhos da Quinta dos Roques numa única palavra, eu escolheria “gastronómicos”.
Como tal são complexos no aroma e na boca, elegantes, frescos e com boa estrutura mas sem serem compactos.
São mais expressivos na boca do que no aroma e com bom potencial de evolução em garrafa.Em termos de solos, as vinhas estão plantadas em terrenos predominantemente graníticos com alguns afloramentos de xisto e argila.
Qual o segredo dos seus “Encruzados”?
O segredo é muito simples: boa casta, boas uvas, bom enólogo e bom adegueiro. Depois é não desvirtuar as características da casta – frescura, boa estrutura e equilíbrio não (ab)usando da madeira por motivos unicamente folclóricos.
Penso que ainda não fez rosés nem colheitas tardias. Dado que o Dão tem boas condições naturais para este tipo de vinhos, deixo-lhe a pergunta. É opção ou ainda “não calhou”?
Na verdade, fazemos com alguma regularidade um rosé mas Espumante Natural e este é vendido para exportação na sua quase totalidade.
Em relação aos “outros” rosés, fazer já fiz, só que não gostei dos resultados!
Vou continuar a fazer ensaios e quando houver algum que me agrade logo veremos.
No tocante aos colheitas tardias, permita-me que discorde – o Dão não tem condições naturais para este tipo de vinho.
Aliás, eu costumo dizer que “o Dão tem muitas coisas nobres mas a podridão não é uma delas”…
Como é sabido, o Dão tem para os seus tintos quatro castas principais, a Touriga Nacional, o Alfrocheiro, a Tinta Roriz e o Jaen. Quase todos os vinhos são feios a partir delas. Qual a razão, para si, para que não se façam vinhos com outros encepamentos, se é que eles existem?
Efectivamente estas 4 castas são as principais mas existem outras, entre as quais se procurarmos, e se calhar não é preciso muito esforço, encontramos muita Baga também.
Eu sou dos que acreditam que o vinho é cultura, história, tradição, gastronomia e portanto penso que estas 4 castas são as que ao longo do tempo a experiência e o saber dos Homens da Terra foram seleccionando por serem as que melhor se adaptavam ao “terroir” e à gastronomia da região.
Neste momento, a Touriga Nacional é considerada a melhor casta tinta portuguesa, a que todos querem nos seus rótulos. Tem medo da sua internacionalização, dado ser um dos pontos fortes do Dão?
Não, rigorosamente nenhum!
O ponto forte do Dão não é (só) a Touriga Nacional, o ponto forte do Dão é ser o Dão!
Os seus solos, rios, montanhas, castas e o saber dos homens é que fazem a diferença. Logo quanto melhor os homens souberem harmonizar todos estes factores, melhores serão os vinhos do Dão.
Em relação à Touriga Nacional que se produz na Quinta dos Roques, seja para os vinhos de lote seja para o monovarietal, ninguém a consegue replicar; é precisamente essa a definição de “terroir”. Ninguém tem a mesma terra, as mesmas árvores, ervas, rios, relevo e clima que eu tenho…daí que quantos mais produtores fizerem Touriga Nacional (que eu por via das dúvidas decidi começar a chamar Touriga Portuguesa) melhor.
Ao contrário de outras regiões, é difícil ver um varietal de Tinta Roriz no Dão. Se é uma casta que entra em muitos lotes, porque não sozinha?
Penso que mesmo fora do Dão, em Portugal, a Tinta Roriz não aparece muitas vezes sozinha.
Acho que a Tinta Roriz foi seleccionada durante muito tempo para se obter quantidade e ainda estamos a pagar esse erro.
Não quer dizer que não apareçam, de vez em quando, alguns bons exemplares de monovarietal de Tinta Roriz mas diria que de uma maneira geral não existe regularidade suficiente em termos de qualidade para que se aposte num vinho exclusivamente de Tinta Roriz.
Acha que o Dão, apesar dos grandes vinhos que tem, e que a meu ver cada vez mais, vai-se conseguir bater com as duas grandes regiões portuguesas, Douro e Alentejo, ou vai ser sempre o eterno terceiro nas escolhas dos portugueses?
Primeiro temos de ver o que significa “bater-se”.
A realidade é que em termos de quantidades vendidas ninguém se bate com o Alentejo (à excepção dos Vinhos Verdes brancos) daí que para se dizer que o Douro é 2º e o Dão é 3º se tenha de contextualizar…
Se “bater-se” tem a ver com o “estar in”, o ser badalado, aí o Douro, actualmente, bate o Alentejo e o Dão cá dentro e ainda mais lá fora embora no estrangeiro o Dão ser bem capaz de congregar à sua volta mais “opinion makers” do que o Alentejo (novamente, em termos de quantidade a história é outra…).
Ainda para mais, penso que o estilo de vinhos que pouco a pouco começa a ser preferido pelos “opinion makers” e também pelos consumidores, pode ser uma boa oportunidade para o Dão mostrar todas as suas potencialidades e diferença, assim os produtores do Dão se esforcem, cresçam em dimensão e qualidade e porque não em número também.
Um dos problemas do Dão é que continua a haver um número reduzido de produtores apostados na qualidade.
Agora uma pequena provocação. O Dão é considerado a Borgonha portuguesa devido à elegância dos seus vinhos. Tem conhecimento da experimentação da casta Pinot Noir no Dão? Acha que resultaria?
Não conheço qualquer experiência com a Pinot Noir no Dão.
Resultar até podia resultar mas acrescentava alguma coisa aos vinhos do Dão? Acho que não.
Tal como não acho que esta ou outra casta “estrangeira”, introduzida agora por uma questão de moda, viesse acrescentar alguma coisa a esta ou a outras regiões.
Ocasionalmente até podem dar origem a um vinho muito falado cá dentro; mas quando se compara com os vinhos do “terroir” original? Acrescentam alguma coisa? Tenho muitas dúvidas.
Um vinho que levava para uma ilha deserta?
Uma pergunta destas leva muitas vezes a cairmos na imodéstia, a olhar para o nosso umbigo, ou então na “snobeira” dos vinhos “milionários”.Espero fugir às duas escolhendo um Madeira Malvasia 20 Anos ou um Porto Tawny 20 Anos.
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