Domingo, 14.06.09

Short Tail rosé 2007

Numa incursão á África do Sul, fiquei-me por um vinho com uma imagem e nome no mínimo curiosos. Uma homenagem à cauda dos elefentes, neste caso sul africanos.
Um vinho do chamado Novo Mundo, com um preço a menos de 2 euros e que veio acalmar um dia de calor intenso. O que poderemos querer mais? Já agora, deixo outra pergunta: Como é que estes vinhos chegam cá a este preço? Não será a quantidade, porque tembém temos produtores capazes de fazer vinhos deste nível e com esta quantidade. Estou-me a lembrar de uns tantos (Esporão, Sogrape, as próprias adega cooperativas).
Bem, centremo-nos no vinho. Tem uma cor atijolada. Aroma intenso e com muita fruta vermelha. Lembra morangos, alguns em rebuçado, e alguma gelatina. Boca leve, acidez mediana. Mantém a fruta encontrada no aroma e pouco mais. Final mediano.
Temos aqui um vinho bem feito, agradável e que cumpre muito bem o seu papel. Por este preço, é difícil encontrar melhor para as petiscadas. 14,5.
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Chão Rijo branco 2006

Com o intuito de conhecer alguma coisa feita em Colares com castas que não conheço e algumas mesmo com nomes exóticos, resolvi comprar uma garrafa de um branco da Adega Cooperativa de Colares. O vinho foi barato, cerca de 3 euros. A queda não seria muito grande, mesmo para um branco de 2006. Queria experimentar uma coisa diferente e fugir um pouco à rotina.
Os solos de onde saíram as uvas para este vinho são argilosos, rijos, daí o nome Chão Rijo, uma expressão usada na região. As castas usadas foram a Malvasia, Galego Dourado e Jampal, que não passaram por madeira, somente por inox.
A cor apresenta-se amarelo citrino. Aroma intenso e com evolução. Fruta madura tipo ananás com um toque lácteo a lembrar iogurte. Mineral e toques de rebuçado. Boca de médio porte e com boa frescura. Mantém a fruta madura com especial destaque para o ananás. Final mediano e com alguma frescura.
Um vinho bem curioso, já com evolução notória. Na primeira prova ainda se apresentou fresco e com fruta. No dia seguinte o vinho parecia outro, demasiado evoluído, de acidez parca e muito flácido. Penso que não se irá aguentar muito tempo. Abriu-me o apetite para conhecer mais vinhos da região. 14,5.
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Quinta-feira, 11.06.09

Convento da Tomina tinto 2007

Francisco Nunes Garcia é sinónimo de vinhos de qualidade. Numa das zona mais quentes de Portugal, Moura, consegue imprimir nos seus vinhos características que os permitem evoluir da melhor forma em garrafeira, como disso são exemplos os seus Reserva. São vinhos de perfil quente, guloso, mas que têm uma estrutura e frescura invulgar.
A sua gama de vinhos, somente tintos, começa no Convento da Tomina, passando pelo Francisco Nunes Garcia Reserva e acaba nos topos de gama António Maria e Amália Garcia. Teve em tempos um monovarietal Alicante Bouschet, mas que desde 1999 deixou de o fazer.
O vinho em prova é o entrada de gama, o Convento da Tomina da colheita de 2007. Um vinho que anda na casa dos 6 euros e tem as castas Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Alfrocheiro. Não passa por madeira.
Cor rubi escuro. Aroma de média intensidade a fruta vermelha como morangos, framboesa, alguma compota. Depois temos o café, capuccino. Ligeiro vegetal e chocolate preto.
Boca encorpada com acidez mediana. Permanecem as notas frutadas acompanhadas de café.
Final de bom comprimento e guloso.
Temos aqui um vinho de boa qualidade, num perfil claro do sul alentejano. Vinho com notas maduras, redondo e que se bebe muito bem. 15,5.
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Terras do Mendo tinto 2007

Temos aqui uma novidade do Dão, mais precisamente de Oliveira do Hospital.
Luis Vaz Pato, um produtor de uvas que saíam para a Adega Cooperativa de Nogueira do Cravo e que após o insucesso da mesma, aproveitou para arriscar e engarrafar o seu vinho com marca própria. Os conselhos eram favoráveis e a qualidade da matéria prima existia.
É sempre de louvar o empreendedorismo numa região que está a recuperar a passos largos. Os novos projectos vão-nos chegando e isso é muito bom sinal.
Actualmente, o produtor tem 12 hectares de vinha plantados com as castas tintas e brancas características da região. A enologia está a cargo de Elisa Lobo, uma jovem enóloga que está a tempo inteiro neste projecto.
O vinho em prova é da colheita de 2007, feito com as castas Touriga Nacional e Alfrocheiro. Estagia somente em cubas de inox.
A cor é escura, jovem. Aroma intenso numa combinação de notas balsâmicas a lembrar caruma, resinas e algum eucalipto. A fruta aparece a lembrar morangos frescos e cerejas. Ainda temos as flores, de cor violeta e viçosas. Boca de médio porte e com uma bela acidez. Está na linha do aroma, com a fruta, as flores e os balsâmicos. Final longo e saboroso.
Uma bela surpresa, um vinho que está na linha mais tradicional do Dão. Ao provarmos, sentimos as vinhas no meio de pinheiros e eucaliptos. Um projecto que entrou com o pé direito, com um belo vinho que estará no mercado com um preço a rondar os 6 euros. 16.
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Segunda-feira, 08.06.09

Gravato Palhete 2005

A Quinta dos Barreiros fica situada na Mêda, distrito da Guarda. Apesar de parte das suas uvas ainda irem para produtores de vinho do Porto, está sobre denominação Beiras, isto é, fora da região Douro.
O vinho Gravato tem o nome de uma batalha na qual as tropas anglo-portuguesas saíram vitoriosas, tendo como adversários os franceses que se viram forçados a sair de Portugal. Foi a batalha do Gravato que teve lugar a 3 de Abril de 1811.
O Palhete, vinho com mistura de castas tintas com brancas já é uma forma de fazer vinho muito antiga. Já em meados do século XX, o Palhete teve grande destaque porque era um vinho muito afamado nas grandes cidades, nomeadamente Lisboa e Porto. O actor Vasco Santana refere-se a ele no filme "A Canção de Lisboa".
O vinho em prova é o Palhete 2005, que tem como diferença do 2004 a utilização da Touriga Nacional e a troca do Rabigato pela Síria. Estagia unicamente em cubas de inox.
Cor rubi de média intensidade. Aroma de boa intensidade com notas de fruta vermelha a lembrar morangos e cerejas juntamente com flores e um ligeiro toque vegetal a mato rasteiro. Boca de médio porte, muito fresca e com ligeira secura. Fruta vermelha gulosa e ligeiro floral. Longo, frutado e fresco.
Um vinho muito curioso. Uma mistura de uvas tinta e brancas, muito frutado, que se deve beber fresco, pelos 12 graus. Acompanha na perfeição pratos de verão e alguns mais robustos, como uma bela sardinhada. A provar, sem dúvida. 15,5.
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Domingo, 07.06.09

Quinta da Leda 2003

Falar da Casa Ferreirinha á falar do Douro. É uma das grandes marcas do Douro, senão a maior.
A Quinta da Leda, adquirida pela empresa em 1978, nasce a base dos vinhos topo de gama da Casa Ferreirinha, nomeadamente os conceituados Barca Velha e Reserva Especial, e também Quinta da Leda e Callabriga. É uma quinta situada no Douro Superior, em Almendra, plantada com as castas tradicionais do Douro e que veio dar à empresa novos argumentos especialmente nos vinhos de mesa.
2003 foi um ano muito quente, de extremos, com vinho poderosos e cheios de fruta. Foi ano vintage de todas as grandes marcas e os próprios vinhos de mesa atingiram uma qualidade elevada. Os vinhos da Leda não foram exceção. Este Quinta da leda 2003 foi feito com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Estagiou cerca de 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Sai da garrafa com uma cor escura, ainda muito jovem. Aroma intenso e profundo. Notas de menta, seguidas de mineralidade. A fruta lembra cerejas e ameixas . Depois vêm as flores, com especial destaque para a esteva e rosmaninho. Ligeiro chocolate preto. Boca gorda e com boa acidez. A fruta aparece gulosa, com toques de chocolate e flores. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho que, apesar do ano quente, mantém uma boa frescura e compensa a fruta gulosa. Com uma bela estrutura e complexidade, é um vinho que está de plena saúde, com muito anos pela frente. Agora, dá muito prazer. 17,5.
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Casa de Santar 2006

Voltando ao Dão e a uma marca que tenho seguido há varios anos, fico-me pela vila de Santar, bem no coração da região vinícola. Desta casa saem as marcas de entrada Casa de Santar branco e tinto, os Reserva, um monovarietal Touriga Nacional e os topos de gama, Conde e Condessa da Santar. Debruçando-nos somente na gama de entrada e mais concretamente no tinto, são para mim dos vinhos com melhor relação entre o preço e a qualidade. Abaixo dos 6 euros, consegue-se beber um belo vinho, já com alguma complexidade e elegância única.
Esta colheita de 2006 não foge à regra. Feita com Touriga nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro, estagia 4 a 6 meses em barricas de carvalho americano.
Tem uma cor escura. Notas intensas de fruta vermelha como morangos e cerejas. Flores envolvidas em baunilha e ligeiro mineral. Boca com com corpo e bela acidez. Muito frutada, com as flores a acompanhar. Bom final, frutado.
Temos aqui um vinho muito bem feito, com fruta viva e com as flores características da Touriga. Sumarento e levemente especiado, é um deleite à prova. A minha aposta. 16.
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Sexta-feira, 05.06.09

Independent Winegrowers' Association

Ocorreu no dia 2 de Junho, no Hotel Ritz, uma prova de vinhos para a imprensa da IWG, Independent Winegrowers' Association. Uma Associação de 6 produtores do centro e norte de Portugal, cuja finalidade é a conjugação de esforços para a exportação dos seus vinhos.
Esta prova teve como principal objectivo a apresentação das novas colheitas e novidades dos produtores. Foi seguida de um jantar onde estiveram alguns dos vinhos provados anteriormente.

Deixo aqui algumas impressões sobre os vinhos provados, que não dando tempo de prova-los a todos, deu para perceber a elevada qualidade dos mesmos.



A prova foi orientada por João Paulo Araújo, que assim apresentou as novidades de SanJoanne e da Vegia. Começamos por um espumante Reserva 2002 da Quinta de Sanjoanne. Um espumante intenso, citrino e fumado e com uma bela acidez. Gostei muito. Percorremos depois os vinhos Quinta da Sanjoanne 2008, um vinho fresco e com vegetal intenso, o Quinta de Sanjoanne Escolha 2004, com aroma evoluído, verniz, apetrolados, banana. Um vinho com forte personalidade. Para acabar os brancos fomos para o Quinta de Sanjoanne Superior 2007, este mais floral frutado e mineral. Irá evoluir bem.
Nos tintos, começámos por um Porta Fronha 2006, muito frutado, o Quinta da Vegia 2006, este mais austero, com mineralidade, e o Quinta da Vegia Reserva 2005, que já conhecia e que está a evoluir muito bem. Em grande.



Domingos Alves de Sousa fez a apesentação. Nos brancos, começamos por um Branco da Gaivosa Reserva 2007, austero, vegetal, mineral, ligeira baunilha, com bom volume e bela acidez. Não conhecia este vinho e foi uma bela surpresa. Depois o grande branco da prova, o Alves de Sousa Reserva Pessoal 2005, um vinho complexo e que me dá muito prazer. Para guardar em cave.
Nos tintos, provámos o Quinta da Gaivosa 2005, complexo, guloso, floral, balsâmico. Muito bem. Fomos para o Quinta Vale da Raposa Grande Escolha 2006, um vinho frutado e com forte vertente floral. Moderno no perfil. Passámos ao Quinta Vale da Raposa Touriga Nacional 2007, onde aparecia o chocolate em conjunto com a fruta e as flores. Belo vinho. Acabámos numa novidade absoluta, um vinho tinto de colheita tardia, o Tinto Doce Colheita de Natal 2007, um vinho doce, guloso. Gostei bastante.



Aqui falou Luis Pato. Não provei os vinhos todos deste produtor. Tive pena.
Destaco um espumante Vinha Formal, de belo efeito, muito guloso e o Vinha Formal 2008, um vinho complexo e com personalidade forte e que foge ao perfil frutado. Em relação aos tintos, fiqeui-me pelos Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2006 e 2007. O 2006 é um vinho acetinado, com notas de verniz e grande profundidade. O 2007, um pouco mais fechado mas dentro da mesma linha. Nunca os tinha provado e para mim foram dos melhores tintos que provei na minha vida. Que vinhos! Provámos ainda, ao fim do jantar, o FLP 2008, um vinho bem curioso e com bom perfil para acompanhar sobremesas.




Foi Pedro Araújo que apresentou os vinhos. Começamos por um espumante, Quinta do Ameal Arinto Bruto 2002, um espumante austero, seco, bolha fina e com bela acidez. Perfeito para a comida. Depois tivemos o Quinta do Ameal Loureiro 2008, um vinho vegetal, com citrinos e flores. De bom efeito. Depois passámos ao Quinta do Ameal escolha 2007, um vinho estagiado em madeira, com leve baunilha a par de notas citrinas e apetroladas. Provámos ainda o Quinta do Ameal Escolha 2004, pleno de vida, vegetal, mineral, ligeiros apetrolados e com fruta citrina. Por fim, um vinho feito através da secagem das uvas depois de recolhidas, que dão origem a um vinho doce, com aromas de passas, mel, pó de talco, alperce, o Quinta do Ameal Special Harvest 2007. Vinho de belo efeito.





Foi Nuno Araújo que apresentou os vinhos. Por falta de tempo fiquei-me pelos brancos, mas com curiosidade de provar os tintos deste produtor, de quem tão bem falam.
Começamos pelo Covela Colheita Seleccionada 2007, um branco profundo, austero, citrino. Depois passámos ao Covela Escolha 2007, este com madeira mas também austero, vegetal, com fruta citrina e toques de querosene e mineralidade. Por último, passámos ao Covela Escolha 2008, com curiosos toques de tremoços, vegetal, com grande austeridade.



Prova apresentada por Luís Lourenço. Esperava encontrar o famoso encruzado, mas não tinha sido ainda engarrafado. Por isso, fiqeui-me, também por falta de tempo, pelo Quinta das Maias Malvasia Fina 2008, um vinho com um perfil diferente dos anos anteriores, mais adocidado, com aromas de ananás em lata. Esta doçura irá ao encontro dos gostos asiáticos e para a comida mais delicada. Um vinho que fará as delícias do público feminino. Nos tintos, provei o Quinta dos Roques Reserva 2006, um tinto que acompanhou o jantar de forma grandiosa, de belo efeito, com boa austeridade, flores, fruta e forte mineralidade. Fiquei com água na boca pelos tintos que não provei, as amostras do Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, todos de 2007.



A acompanhar estes belos vinhos, nada melhor que um bom repasto. Aqui fica o cardápio para a posteridade.

-Risotto de lagostins e girolles, trufa preta e limão com flor de sal.
-Peixe-galo com crosta de legumes, calamares salteados, piquillo e molho de caril doce.
-Lombo de novilho com trufa preta, cromesqui de foie gras e pão de especiarias, terrina de legumes e emulsão de espargos.
-Sericaria com gelado de baunilha.


Resta-me agradecer o convite, a oportunidade de prover grandes vinhos e de conhecer pessoalmente quem os produz. Ficaram vinhos por provar e alguns dos provados merecem prova muito mais atenta. Oportunidades não faltarão.
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Quinta da Alorna Reserva Arinto & Chardonnay branco 2008

Depois de não há muito tempo ter provado a versão 2007, chega a hora do 2008. Um vinho que chegou ao mercado há pouco tempo e que que foi feito da mesma maneira, o Arinto estagiou em inxo e o Chardonnay em barricas novas durante 3 meses. Uma dueto que resulta muito bem, sendo o Arinto uma casta que dá frescura ao conjunto.
Das terras de Almeirim, da nova região Tejo, vem este Reserva. Um vinho que anda na casa dos 5 euros.
Tem uma cor amarelo pálido. A fruta aparece em grande, com algum limão e na sua maioria de polpa branca a lembrar maça e pêra. Toques de melão maduro. isto tudo abraçado por baunilha, aniz e manteiga fresca. A boca é gorda e com boa acidez. Mantém o perfil que encontrámos no aroma, a fruta em conjunto com espaciarias e manteiga. Final longo e com alguma complexidade.
Temos aqui um vinho muito bem feito, com um dueto luso/francês, que a meu ver resulta muito bem. A fruta a frescura do Arinto com a estrutura e apetência pela madeira do Chardonnay. O preço é outra mais valia. Uma grande compra. 16,5.
publicado por allaboutwine às 02:47 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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