Domingo, 10.05.09

Quinta el Refugio rosé 2007

Apetecia-me beber um vinho simples, barato, fresco. Escolhi este rosé, um vinho da região de Toro feito para o El Corte Ingles. No contra-rótulo não menciona com que castas é feito, só refere que são castas tradicionais da região.
Sai da garrafa com uma cor vermelha viva. Os aroma de principio são um pouco sujos, com notas de adega, pastelaria. Depois vem a fruta com notas a lembrar framboesas. Sentimos também algum lácteo. A boca tem algum corpo, com boa acidez. O álcool aparece em força, num final algo adocicado.
Um vinho modesto, cheio de álcool, que mesmo com a frescura e a fruta que tem, não consegue passar despercebido. Abaixo dos 3€, conseguimos encontrar melhor. 13,5.
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Adega Pegões Colheita Seleccionada 2005

A Adega Cooperativa de Pegões é um dos poucos casos de sucesso dentro do coorporativismo em Portugal. São poucas as Adegas que, apesar de os vinhos terem vindo a melhorar, conseguem passar uma imagem positiva, moderna.
Numa região em que a casta Castelão reina, a aposta em castas estrangeiras e em portuguesas com perfil mais moderno, foi determinante para o sucesso dos vinho desta adega, que está sob enologia de Jaime Quendera, um dos mais conhecidos impulsionadores locais.
O Colheita Seleccionada tinto é um vinho que tem ganho prémios em concursos internacionais, e é um dos exemplos de modernidade dos vinhos da região. A colheita de 2005, aqui em prova, é feita com as castas Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. Estagia 12 meses em meias pipas de carvalho francês e americano.
Cor vermelha escura. O aroma tem bela intensidade, onde aparecem notas florais acompanhadas de mato rasteiro primaveril. A fruta faz lembrar ameixas. Tem um lado mais balsâmico, com toques de eucalipto e resinas. Boca de bom corpo e muito boa acidez. Uma boa mistura de flores , frutos e algum balsâmico. Final longo e saboroso.
Temos aqui um vinho muito bem feito, num perfil moderno e cheio de vontade de agradar. Consegue ter uma boa complexidade e é um boa compra para esta gama de preços, até 6 euros.
16.
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Sábado, 09.05.09

Entrevista - Luis Roboredo / Gravato


Para iniciar a serie de entrevistas, nada melhor do que começar numa das zonas de Portugal que, apesar de estar numa região vinícola sem grande projecção (Beiras), tem dado muito aos vinho do Douro e especialmente do Porto. São grandes as quantidades de uvas vendidas às grandes casas de Vinho do Porto que saem desta região e mais concretamente deste produtor.
Luis Roboredo é uma personagem muito característica, de grande frontalidade e de conversa fácil e muito interessante. Deixo aqui algumas das suas ideias, o seu projecto e outras curiosidades.
Resta-me agradecer ao produtor pela sua simpatia e disponibilidade ao me conceder estas palavras.








Quando começou a aventura de engarrafar os seus vinhos, tendo em conta que desde sempre tinha a matéria-prima e a vendia a grandes casas de Vinho do Porto?
Tudo começou quando o meu pai no ano de 2002 me entregou as chaves da quinta dos Barreiros para eu começar a tomar conta da mesma. Até essa data a quinta era para mim um lugar de férias onde eu passava 15 dias por ano, o meu hobby era a vela (campeonatos), por minha vontade já teria pegado nela mais cedo mas devemos respeitar a vontade do meu pai, ele é mais velho e por algum motivo fez as coisas como fez. Logo comecei a ver as coisas de outra forma, se vendíamos uvas às grandes casas e eles têm grandes vinhos nós também os poderíamos fazer, assim nasce a construção da Adega em 2003, pobrezinha em dimensões, mas muito bem equipada de cubas e maquinaria, ou pelo menos é a opinião da maior parte dos enólogos que a visitam. Comecei a apreender a fazer vinho com um grande amigo meu enólogo que me ajudou dando-me a coragem necessária e formação intensa, e apanhei o “bichinho” do vinho. E depois senti uma necessidade de o aperfeiçoar cada vez mais, eu sou uma pessoa bastante irrequieta, e o começo foi bastante complicado, sou filho único sem a ajuda de ninguém durante os primeiros 3 anos saía do escritório no Porto na sexta à noite para ir para a quinta, férias, e todo o pouco tempo que dispunha era lá passado. Mas valeu a pena. E continua a valer.
O que começou a ser um negócio em part-time e com o crescimento que todos vemos, tem alterado a sua rotina quotidiana? Passou a ser um negócio a full-time?
Infelizmente ainda não começou a ser um negócio a full-time, mas creio que daqui a uns 2 anos será… a vida continua extremamente complicada para o nosso lado, porque é tudo feito por mim e uns amigos que me vão ajudando como podem, desde a vindima, até à parte final da realização do vinho, a passar pela imagem, site, e parte inicial da comercialização, fazemos tudo, incluindo receber pessoas e eventos na quinta (passeios de btt, jeeps, torneios de tiro), no ano 2008 começamos também a vender com maior frequência à porta da Quinta dos Barreiros os nossos Gravato. A maior relutância vem da parte das lojas, isto apesar de saber que existe procura para os vinhos, o Gravato Tinto pelas classificações que vem conseguindo e o Gravato Palhete pela “originalidade” e curiosidade da parte das pessoas.
Falando dos seus vinhos, de onde surgiu a ideia de fazer um Palhete?
A ideia de fazer o Palhete, veio desde a origem da família do meu pai que era da Mêda, lembro-me de em miúdo ver o meu avô e a seguir o meu pai a faze-lo. Ainda à muito pouco tempo recebi um e-mail de uma pessoa que dizia que nos anos 50 ouvia em casa de seu pai a seguinte frase “Não é tarde nem é cedo... beba vinho Roboredo”, referindo-se ao palhete, este tipo de vinho que vendiam a granel era um sucesso no Porto e em alguns pontos do país. Era feito naquele tempo com a mistura das uvas das várias quintas entre a Beira Interior e o Alto Douro, com as castas típicas da região. Bem como mais tarde apercebi-me da importância deste vinho na história dos vinhos nacionais, tendo sido iniciada a sua produção desde o tempo dos romanos até aos nossos dias.
O Palhete é um vinho que se bebe ao fim da tarde, um aperitivo, ou é um vinho essencialmente para a refeição?
O Palhete pode e deve ser bebido a qualquer hora e a qualquer momento, essa é uma das características que o tornam um vinho especial com carne ou com peixe, fresco ou natural, especialmente indicado para acompanhar pratos onde predomina o nosso fantástico azeite português.
Teve uma crítica em relação seu Palhete de um conhecido jornalista nacional, que o comparou com um rosé. Qual a diferença entre os dois tipos de vinho?
As diferenças estes dois tipos de vinhos são várias e inconfundiveis, começando pela mais importante que segundo a lei, “Decreto de Lei 442/99 de 2 de Novembro do Diário da República que no seu 8º artigo regulamenta os métodos de vinificação dos palhetes na Beira Interior”, um Rosé é feito com uvas tintas, o nosso Palhete é uma mistura de uvas maduras, brancas e tintas logo desde o inicio do processo de vinificação o que lhe dá um ph natural de 3,2 / 3,4, um Rosé é fermentado a frio como se de um branco se tratasse, o Palhete faz-se sozinho, sem que seja necessária a mão humana, e praticamente sem usar qualquer tipo de químico, a cor do palhete, neste caso o nosso é Rubi claro, bem mais escuro do que um rosé que tem cor rosada, um Palhete realizado com as nossas castas pode envelhecer num bom caminho evolutivo, o que não é normal num Rosé, num Palhete nota-se os taninos ligeiros, o Rosé dificilmente os tem visto não ser essa a intenção, o aroma é completamente diferente, sendo que no Palhete é bastante mais intenso. O Rosé bebe-se sempre mais fresco do que o nosso Palhete.
Julgo saber que o Gravato 2004 também foi feito só com Touriga Nacional. Na colheita de 2006 incluiu o nome da casta no rótulo. É um nome que ajuda a vender?
No ano 2006 coloquei no rotulo "Touriga Nacional" é verdade, foi pela simples razão da entrada frustada num concurso de touriga nacional organizado na altura pela revista Blue Wine com o Gravato Tinto 2004, fui desclassificado pela falta do nome da casta no rotulo, disseram-me que podia induzir em erro o cliente final.Quando na altura perguntei em que lugar ficava disseram-me, em 1º lugar, porque o vinho que ganhou teve um 16,5, era um Douro, e o nosso apareceu na tabela top 100 de 2007 logo no Mês seguinte com 17,5. Mas é verdade tenho a inteira noção de que o nome por si só ajuda a vender, muito embora não é fácil fazer um monocasta de Touriga Nacional vencedor, é uma casta boa para a composição de outros vinhos, já todos nós sabemos isso, isolada, tem que ter um solo, e um clima extraordinário para fazer um vinho de excepcional....e acho que os melhores vão certamente representar Portugal por esse mundo fora com a dignidade de uma casta inteiramente nacional, com um produto genuino e dificilmente copiado por outros....
A Mêda sempre foi conhecida pelos vinhos produzidos e também pelas uvas vendidas a grandes casas. Esgota toda a sua produção com os seus vinhos ou continua a vender uma parte das suas uvas?
Não esgoto a produção das uvas com o meu vinho, aliás a maior parte da produção de uvas (Touriga Franca, Roriz e Touriga Nacional) são vendidas a uma das maiores casas de vinho do mundo.
Quais são as principais características dos seus vinhos e, já agora, da região onde está inserido?
As principais características dos meus vinhos, estão nos valores e equilíbrios correctos quer da acidez, quer dos seus taninos, quer do não abuso da madeira, quer da diversidade dos solos, nos quais abunda o quartzo tão importante na frescura do palhete, bem como a densidade do tinto no seu contacto com xisto, temos as nossas vinhas em altitudes consideráveis, entre os 600 e os 700 mts, e o ar quente, seco e ventoso abunda. O grau alcoólico não é problema nesta zona, regra geral os tintos andam na casa dos 14º a 14.5º, e os palhetes entre os 13º e 13,5º. Sendo que aplicamos todo o nosso esforço e atenção nos timings correctos da colheita das uvas, bem como da sua escolha, tudo é pesado e calculado antes de entrar em produção, com um enorme carinho e espírito. Sabendo desde já, que se caso a qualidade não seja a pretendida este vinho será vendido a granel.
Está no seu horizonte fazer brancos?
Não muito embora tenha sido já criticado a esse respeito, visto ter umas uvas brancas consideradas fora de série, algumas vinhas com mais de 60 anos, Síria Velha e Rabigato.
Qual o vinho da sua vida?
O Palhete sem sombra de dúvida, “Um todo-terreno no mundo dos vinhos”
publicado por allaboutwine às 04:53 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sexta-feira, 08.05.09

Entrevistas

O blog Pingamor vai começar uma série de entrevistas a produtores, para assim melhor conhecermos os seus projectos, as suas histórias, os seus vinhos. Uma iniciativa que, espero, será dinamizadora para o blog e bastante interessante para os leitores. O sucesso da mesma será directamente propocional à boa vontade dos produtores, a quem desde já agradeço a cooperação.
publicado por allaboutwine às 05:52 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 06.05.09

Xisto 2004

A marca Xisto foi criada, segundo os seus mentores, para fazer um grande vinho com as castas do Douro, um vinho que mostre estrutura e complexidade, que possua o poder e o sol de Portugal conjugados com a elegância de Bordeaux. Um projecto de duas personalidades, Jorge Roquete e Jean-Michel Cazes, que decidiram criar uma grande vinho que fosse marcado pelas características naturais do Douro e pela experiência dos Cazes que fazem vinhos em Bordeaux há cerca de um século.
A enologia é feita por Manuel Lobo e Daniel Llose, as uvas são da Quinta do Crasto, que para este vinho juntaram as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Estagiaram 18 meses em barricas de carvalho francês.
A cor é vermelha escura. Aroma intenso, com notas de fruta vermelha a lembrar framboesas, cerejas e algum morango. Chocolate de leite e ligeiro caramelo. Algumas notas de folha de tabaco.
Tudo sobre fundo floral. Boca com bom volume e bem fresca. Mantém a fruta e as notas a chocolate e caramelo. Algum floral. Final longo e cheio de sabor.
Um vinho que alia a gulodice de notas mais adocicadas com os aromas mais florais e frutados tipicos do Douro. Muito boa complexidade, algo diferente da primeira colheita, esta mais mineral e floral, mas num perfil que dificilmente não agradará. Belo vinho. 17,5.
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Brancos ainda mais baratos

A prova dos brancos até 4 euros feita pela Revista Vinhos só veio confirmar a evolução qualitativa dos vinhos de gama média, os vinhos que nos dão prazer no nosso dia a dia, os vinhos que nos custam pouco dinheiro e que ainda podemos comprar sem olhar para a carteira.
Mas existe outra realidade, que julgo ainda ser uma boa parte dos consumidores, que nem estes vinhos podem comprar para a sua refeição quotidiana, para quem estes vinhos são vinho de festa, de fim de semana quando são visitados pela família. E é esta questão que me leva a escrever este post.
A qualidade dos vinhos de entrada de gama, dos vinhos mais baratos, principalmente dos vinhos de Adega, que não custam mais de 2 euros. São vinhos que geralmente têm uma qualidade muito dúbia, aos quais nós torcemos o nariz.
Eu venho deixar a opinião que estes vinhos também estão cada vez melhores, pelo menos aqueles que bebi recentemente numa festa. Vinhos como o Adega Borba, Porta da Ravessa, Terras de Xisto, são vinhos que não envergonham ninguém e aos quais não afastamos o copo, podem crer. A tecnologia faz maravilhas e ajuda os enólogos a conseguir alguma qualidade em matéria prima muitas vezes precária, e isso faz com que os vinhos apareçam mais modernos, com mais fruta, com outra cara. A imagem também está mais apelativa e mais jovem, piscando o olho ao consumidor mais jovem e menos conhecedor ou talvez menos intusiasta do tema. Já podemos escolher este tipo de vinhos não só para temperar, mas também para bebe-los de forma despreocupada e descomplexada.
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Terça-feira, 05.05.09

Casa da Atela Sauvignon 2006

Este vinho foi uma compra para o dia a dia, aqueles vinhos que custam pouco dinheiro e que esperamos deles um conforto ao fim do dia para tentar relaxar depois de um dia desgastante. Estava em promoção num hipermercado e não hesitei, levei-o para casa.
Já tinha provado há tempos um outro branco deste produtor e deste ano e também monocasta estrangeira, o Gerwurtraminer. Lembro-me que gostei particulamente desse vinho, muito exótico. Deste Sauvignon, já com algum tempo em garrafa, não esperaria a frescura aquando da sua saida para o mercado, mas esperava ver um vinho com alguma evolução. Estava curioso, dado ser uma casta que conheço muito pouco.
As uvas foram vindimadas à mão e foram vinificadas e posterior estágio em inox.
Tem uma cor amarela citrina. Aroma citrino, a lembrar limão e uma faceta mais vegetal a espargos verdes. Fundo mineral, com algum fumo. Boca de corpo mediano e muito boa acidez. Continua com mutos citrinos. Bom final, muito fresco.
O vinho, mesmo com alguma idade, continua muito fresco e vivo, fazendo juz à casta. uma boa opcção para os fãs do Sauvignon e que querem gastar pouco dinheiro. 15.
publicado por allaboutwine às 12:04 | link do post | comentar
Segunda-feira, 04.05.09

Secua 2007

Em mais uma das minhas passeatas pelos corredores dos vinhos, neste caso no El Corte Ingles, vi este branco Colheita Tardia espanhol por menos de 5€. É um preço muito baixo para este tipo de vinho e, claro está, duvidei da sua qualidade, mas por outro lado o tombo também não era muito grande. Levei para casa.
Vindo das Tierras de Castilla, do produtor Bodegas Finca la Estacada, este branco é feito de uvas da casta Chardonnay colhidas mais tarde. Estagia em carvalho francês.
A cor é amarela citrina. Aroma de média intensidade, com notas de fruta tropical a lembrar ananás em calda e alperce e também ligeiro mel. Boca de corpo mediano, tal como a acidez. Mantém a fruta e pouco mais. Final mediano.
Podemos dizer que pelo preço não poderiamos pedir mais. Um vinho de pouco exuberância, quase simplório e muito curto na boca, também devido à parca acidez. Não vale a pena. 14,5.
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