Domingo, 21.12.08

Amantis 2007

Situada a 1Km de Estremoz, a Quinta Dona Maria, também conhecida por Quinta do Carmo, é uma referência vínica em Portugal. Os vinhos Quinta do Carmo, agora marca pertencente ao porfólio de Joe Berardo, eram feitos com esta vinha, em que as vinhas velhas de Alicante Bouschet faziam os saudosos reservas da Quinta do Carmo. Com o regresso de Júlio Bastos aos vinhos, os vinhos da marca Quinta do Carmo passaram a ser feitos com vinhas de outra Quinta. Júlio Bastos, como não podia manter a marca, criou a referência Quinta Dona Maria, que segundo reza a história, era uma cortezã por que o rei João V se apaixonou. A Quinta foi uma oferta do rei á cortezã. A tradição dos vinho feitos nesta Quinta voltou ao seu melhor com as novas marcas Quinta Dona Maria, colheita e reserva, Amantis, e o topo de gama, Júlio B. Bastos, feito com as vinhas velhas de Alicante. A marca Amantis, lançada com o tinto de 2004 é , segundo o produtor, dedicado aos amantes do vinho. Este vinho em prova é a primeira colheita na versão branco. Feito com predominância de Viognier, uma casta que não me é querida, mas que aqui tem uma elegância fora do comum. Cai no copo com uma cor amarela citrina. Boa intensidade aromática com a fruta em primeiro plano. Lembra alguns citrinos como toranja e casca de laranja. Depois vêm as nêsperas, alperces, maças e ananás maduros. Mineral e toque fumado. Boca gorda, espacial, com uma excelente acidez. É marcada pela fruta madura, em especial alperce. Sente-se ainda fumados e um fundo abaunilhado. Final longo e complexo.
Temos aqui um belo branco, o melhor exemplar da casta que provei. Nada de aromas pesadões mas sim elegante e cheio de finesse. O preço também não assusta ninguém, e então para a qualidade que apresenta, é quase dado. 17,5.
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Quarta-feira, 17.12.08

Campo Al Mare 2005

A minha experiência em vinhos estrangeiros é muito pouca e em Italianos ainda menos. Este é proveniente da Toscania, região de grandes produtores e de grandes vinhos mundiais. A família Ambrogio Folonari produz vinhos há várias gerações e é detentora de grandes marcas, como o Campo Al Mare (das mais recentes aquisições), Cabreo, Tanuta la Fuga, etc... Fazem dos mais célebres e conhecidos vinhos de Itália. Na gama Campo Al Mare, além deste tinto, existe um branco e um rosé. Têm também produção de azeite.
Ao melhor estilo bordalês, esta colheita de 2005 é composta por Merlot 60%, Cabernet Sauvignon 20%, Cabernet Franc 20%. Estagia um ano em barricas de 1 ano e 3 meses em garrafa antes de sair para o mercado.
Apresenta uma cor muito escura, quase opaca. O aroma é sisuso, deixando mostrar notas de fruta avermelhada, entre fumados, notas vegetais e quimicos. A boca é gorda, acidez bem integrada e taninos robustos mas domados. Sabores a ligeira fruta, vegetais verdes e tosta. Final longo e persistente.
Ainda está um pouco cru, com as várias componentes ainda por afinar, aindo por casar. É guarda-lo na garrafeira para prova-lo lá mais para a frente ou então com um prato muito forte. 17.
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Pelada 2003

Álvaro Castro é um homem do Dão, para muito é o homem do Dão. É reconhecido por todos, que é um dos grandes impulcionadores do renascimento dos vinhos do Dão, após uma longa travessia no deserto. Toda a gente conhece as marcas Pellada e Saes, as duas quintas do produtor, situadas mesmo ao pé da Serra da Estrela. Tem parcerias mais a norte com outro monstro do vinho português, Dirk Niepoort, com que faz o vinho Dado, agora Doda. Há quem diga que os seus vinhos cheiram muito a Touriga Nacional e que têm muita madeira, alíás que parecem uns destilados de carvalho. Eu não concordo, são grandes vinhos, gulosos, mas grandes vinhos que geralmente aguentam uns bons anos (quem não de lembra do Pellada Estágio Prolongado 2000?). Este vinho em causa, o Pelada 2003, que eu saiba é colheita única, é um desses exemplares. Está muito bom para beber agora, mas tem largos anos pela frente. Sai da garrafa com uma cor negra. O nariz é intenso e desde logo mostra-se fresco, nada pesado. Nota florais, acompanhadas de fruta vermelha a lembrar morangos, framboesas e cerejas. Tudo envolvido em baunilha e chocolate de leite. A boca tem bom volume, excelente acidez e taninos redondos. Tem os sabores que encontramos no aroma. Flores, fruta, chocolate e baunilha. Final longo e complexo.
Mais um belo vinho do produtor, complexo, cheio de frescura. São vinhos que aconselho vivamente. Sou grande fã. 17.
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Offley Boa Vista Vintage 2003

Os Vinhos do Porto, em especial os Vintage, são para mim vinhos de difícil prova. Quando são novos, são vinho muito opacos, muito estruturados, com os aromas fechados e geralmente muito gulosos. Os aromas andam lá, mas andam escondidos, difíceis de descortinar. Mas eu adoro estes vinhos. São únicos!
O vinho em prova é da Sogrape. Além da Offley, é detentora outras marcas no mercado, como por exemplo a Sandeman. Provém essencialmente da Quinta da Boavista, que contribui de forma decisiva para o blend final do Vintage Offley. Além desta Quinta, o grupo detém entre outras, a Quinta da Lêda, famosa pelos vinhos de mesa, Quinta do Vau, Quinta da Granja., etc..
As castas predominantes do vinho é a Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Rufete e Malvazia Preta. Fermentam em cubas de inox e estagiam nos balseiros, em Vila Nova de Gaia.
Depois de 2/3 anos é engarrafo e cai no copo com uma cor escura, opaca. Aroma com alguma potência, com toques quimicos a lembrar cartão, verniz. A fruta apresenta-se negra, com amoras e ameixas. Temos ainda chocolate preto amargo, flores e fundo mineral. Boca encorpada, bela acidez e taninos gordos e doces. Sabores com mistura de fruta negra, flores, chocolate preto. Persistente, acaba longo e complexo.
É um belo vinho, cheio de juventude, cheio de força. Tem estrutura e acidez para aguentar ainda vários anos em cave. 17.
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Domingo, 14.12.08

Leo d'Honor 2003

A Casa Ermelinda Freitas é um dos principais produtores da região do Sado, mais precisamente de Fernão Pó, Palmela. Os vinhos são provenientes de uma vasta vinha plantada sobre solo arenoso, característico da região e sob clima mediterrânico-continental. Tem uma vasta gama de vinhos, desde os brancos, passando pelos tintos e acabando no Moscatel. A Casa é gerida por Leonor Freitas, que é a quarta geração vinícola da família. Engarrafa os vinhos a partir de 1997. Para isso chamou o enólogo Jaime Quendera, o mesmo da Adega de Pegões, para fazer os seus vinhos. Desde cedo começaram a dar que falar, tanto nacional como internacionalmente. Os vinhos de entrada de gama apresentam uma boa qualidade em relação ao preço de mercado, feitos á base de Castelão, tal como os dois topos de gama, primeiro o Quinta da Mimosa e acima deste o Leo d'Honor. Produzem também alguns varietais, vinhos de perfil internacional, e que muitos resultados já deram por esse mundo fora. Da vinha velha com mais de 50 anos nasce o topo de gama da produtora, o Leo d'Honor. Feito com Castelão, estagia durante 12 meses em barricas novas e sai para o mercado com o preço de 35€.
O vinho em prova é a última colheita, a de 2003. Tem uma cor rubi muito escura. Aroma intenso e muito balsâmico a lembrar um chão acabado de ser encerado, juntamente com caramelo e cacau. A fruta aparece algo tapada, mas ainda dá para cheirar uns morangos maduros, cerejas e amoras. Fundo abaunilhado. A boca é gorda, com boa acidez e taninos rodondos. Continua com os balsâmicos em primeiro plano. Segue-se a fruta, o cacau e a baunilha. Final longo, complexo e muito guloso.
Preferi abrir este em vez do 2001, que ainda tenho no garrafeira e que parece que tem muitos anos pela frente. Este 2003 está um vinho muito guloso, com um excelente trabalho com a madeira. Está com tudo no sitio e pronto a beber. Muito bom vinho. 17,5.

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Sábado, 13.12.08

Altano 2006

Este vinho é um produto de um dos grandes produtores, se não o maior, de vinho do Porto, o Grupo Symington. A Quinta do Tua, Quinta das Lages, Quinta do Vesúvio e agora a Quinta do Vale Perdiz, são algumas das propriedades deste grupo. Destas quintas saem os dos melhores vinhos fortificados do mundo, saem dos melhores vintages e tawnies de Portugal. Deixo como exemplo o Dow's, o Quinta do Vesúvio, o Graham's. Em 1999 começaram o caminho na produção de vinhos DOC Douro. Têm como marca própria o Altano, e em parceria com Bruno Prats um dos ícons dos novos vinhos do Douro, o Chryseia e como segundo vinho, Post Sriptum.
O vinho em prova é a gama de entrada do produtor, já que tem a sua versão Reserva. É um vinho com um excelente preço no retalho, 2,60€, tal como o Reserva, com o preço de 12€. Esta versão de 2006, feito com as castas Tinta Roriz e Touriga Franca, apresenta uma cor rubi escura. Aroma com intensidade média/alta. Notas de fruta vermelha madura a lembrar morangos e ginjas. A para da fruta vêm as flores, diversas e frescas. Café torrado e ligeiro chocolate. A boca tem corpo mediano, boa acidez e taninos redondos. Tal como no aroma, sente-se a fruta madura e a flores. Toque achocolatado. Bom final, frutado.
É um excelente vinho para o dia a dia, com um belo preço. Tem ligeira complexidade e algum poder de sedução. É um daqueles que não engana. 15,5.
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Quinta da Alorna Reserva Arinto Chardonnay 2007

Os vinhos deste produtor sempre tiveram uma boa relação entre o preço e a qualidade. Sitado em Almeirim, com uma quantidade enorme de vinha, em terrenos férteis como são estes da lezíria. A quantidade de referências é enorme, desde os vinhos baratos para beber dia a dia como os topos de gama, que mesmo assim apresentam um preço de mercado bastante acessível. Têm também uma grande variedade de castas plantadas, desde as portuguesas com mais história na região, como a Tinta Miúda, Casteão, Fernão Pires, Trincadeira das Pratas, como a agora famosa Touriga Nacional e também as castas estrangeiras mais conhecidas como o Cabernet Sauvignon, que aliás, com a Touriga, faz um dos topos de gama da casa.
Em relação a este branco, é um dos casos em que a qualidade está bem presente e é vendido no retalho a pouco mais de 5€. É um branco onde se junta uma casta portuguesa, o Arinto, com estágio em inox e o Chardonnay, com estágio em madeira. É uma combinação clássica e que dá resultado.
O vinho apresenta uma cor citrina, brilhante. Boa intensidade armática, com primeiro impacto citrino a lembrar limões. Seguem-se notas amanteigadas, seguidas de fruta tropical a lembrar abacaxi e manga. Toque abaunilhado.
A boca tem bom volume e uma bela acidez. Começa com a fruta citrina e continua com a tropical. Toque abaunilhado. Final longo e fresco.
Gostei sinceramente deste vinho. Alia a frescura do Arinto com o corpo do Chardonnay. Tem boa complexidade e dá muito prazer na prova, fazendo dela uma óptima escolha para o dia a dia. 16.
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Quinta-feira, 11.12.08

Alandra

Este é o tipo de vinhos que nunca são provados, ou pelo menos nunca aparecem nos posts. Em quase todos os casos, são vinhos para beber sem pensar muito (ou quase nada). Mas também me parece que temos um estigma muito forte em relação a este vinhos, pensando desde logo que não merecem prova.
Fui a uma festa de aniversário e fui incumbido de levar o vinho. Eram para lá de 30 pessoas e ainda por cima do tipo que bebem o que se lhe pôe à frente, senti que este era o vinho indicado para o efeito.
Por tanto, a escolha recaiu sobre o vinho de entrada de gama do Esporão. Um vinho de massas, feito aos milhares de garrafas, com uvas próprias e compradas, feito para ser bebido todos os dias e para quem não se preocupa muito com a qualidade. Mas desenganem-se, não é um vinho que envergonhe ninguém.
Salta da garrafa com uma cor rubi escuro. Pouca intensidade aromática, lembra fruta vermelha madura e leve chocolate. A boca é de médio corpo, acidez mediana e redonda. Os sabores vêm ao encontro do aroma. Final curto.
Temos aqui um vinho barato, com a qualidade a condizer. Bom para beber todos os dias, em dias de festa com muitos convidados, sem grandes preocupações. Volto a repetir, não envergonha ninguém. 14.
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Segunda-feira, 08.12.08

Quinta do Sobral Colheita Seleccionada 2006

Mais uma marca do Dão que eu não conhecia. Quase todos os dias aparece um novo produtor e é um esforço imenso tentar andar actualizado. Este Quinta do Sobral é da zona de Santar e é feito por António Narciso, o enólogo que faz, por exemplo, os vinhos da Quinta do Cerrado. Tem as castas tradicionais do Dão numa percentagem igual entre elas, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Tem também um estágio em barricas.
Cai no copo com uma cor rubi escura. Aroma de média intensidade onde se nota a fruta, alguma dela compotada e notas balsâmicas a lembrar eucalipto e algum lenho seco.
Boca de médio porte, boa acidez e taninos redondos. Sabores frutados, acompanhados por café e chocolate. Ligeiro eucalipto.
Final mediano e ligeiramente balsâmico.
É um vinho característico do Dão, em que a fruta alia-se aos balsâmicos, aos matos de eucaliptos e pinheiros que cercam as vinhas. Não é encorpado nem intenso, é antes ligeiro e feito para agradar na mesa. Por menos de 3€ não poderiamos querer mais. Bom para o dia a dia. 14,5.
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Cova da Ursa Chardonnay 2007

Temos aqui um dos mais conhecidos vinhos da casta Cardonnay feitos em Portugal, talvez a par do Tapada de Coelheiros e um ou outro ribatejano. É com certeza um dos mais antigos e sempre foi conotado como um vinho de qualidade superior. Tenho ideia que anda um bocado afastado dos nossos copos, que andam sempre à procura de novidades e esquecem os mais antigos.
É um branco proveniente das encostas da Serra da Arrábida, um micro-clima muito específico onde permite que as uvas amadureçam lentamente. Fermenta e estagia um barricas de carvalho francês novas.
Apresenta uma cor amarelo dourado brilhante. Aroma com alguma intensidade, onde se nota a manteiga fresca característica desta casta, fruta tropical a lembrar manga e abacaxi. Ligeiro tostados e toque de baunilha.
A boca é gorda, com boa acidez. Além da fruta tropical, tem também a frescura dos alimonados. Acaba com ligeiro tostado.
Final longo e complexo.
É um Chardonnay muito bem feito, ao estilo do novo mundo, ao estilo de um chileno que provei há tempos, onde a pouca exuberância da casta é combatida com as notas do estágio em madeira. Acompanha muito bem peixes no forno ou com molhos de natas. 16,5.
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