5 tintos do Douro



Fiz uma prova caseira de alguns vinhos da colheita de 2007 do Douro. Um colheita de onde se esperam grandes vinhos na região, uma ano que originou grandes vintages. Podemos dizer que é a região portuguesa que está mais em alta e de que muito se fala lá fora, isto apesar de "cá dentro", em Portugal, não é a que mais vende, sendo esse prémio para o Alentejo. Nesta prova nota-se a diferença de estilos na região, mas principalmente nos produtores, com vinhos mais concentrados, outros mais austeros e outros mais elegantes e mais bebíveis desde já. Mas fica a conclusão, são todos grandes vinhos e que fazem jus à região e a Portugal.

Quinta do Noval 2007

Produtor tradicional de vinho do Porto, aposta a sério nos vinhos de mesa com este vinho com a colheita de 2004, logo entrando para o topo dos vinhos da região. Provamos agora a terceira colheita depois do 04 e 05.
Feito com as castas tradicionais do Douro, estagia em barricas de carvalho francês.
Tem uma cor muito escura.
Nariz profundo e intenso, com notas fumadas, minerais, especiadas, onde encontramos pimenta preta. Fruta elegante a lembrar cerejas e amoras, no meio de flores e ervas campestres, com estevas e rosmaninho. Acaba com chocolate preto.
Boca encorpada mas não espessa e muito fresca. Notas achocolatadas entra a fruta muito elegante e notas florais. Final longo e complexo.
Temos aqui um grande vinho, longe da concentração e extracção, mas antes a dar primazia à elegância e profundidade. Um Douro diferente. 18.

Aneto Grande Reserva 2007

Esta marca do enólogo Francisco Montenegro tem algum tempo, sempre com vinhos muito bons e com uma grande relação entre o preço e a qualidade. A versão Grande Reserva aparece com a colheita de 2006, considerado por muitos um dos melhores vinhos desse ano. Continua em grande estilo com este 2007. Um blend de 50% Tinta Roriz e 50% Touriga Nacional. Estagia 18 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor muito escura.
Aroma intenso e complexo. Muito fruta compacta, entre amoras, cerejas e alguma framboesas ácidas. Flores e mato rasteiro a lembrar estevas e alfazemas. Fundo mineral.
Boca muito encorpada e com uma bela acidez. Taninos robustos mas doces. Uma bela mistura entre flores, fruta , mineral e chocolate preto, Final longo e complexo.
Temos aqui um grande vinho, num perfil diferente do Noval, num estilo mais duro, mais austero, ainda com muito para mostrar. 18.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2007

O vinho da região do Douro da empresa Dão Sul/Gloabal Wines. Geralmente são vinhos muito bons e com um preço muito apetecível. Este 2007 foi feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca a Tinta Amarela. Estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor escura.
Aroma intenso. Notas de café, chocolate em pó, chá preto. A fruta aparece com notas de framboesas e ameixas. Aparecem depois flores em ambiente mineral.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Confirma os que encontramos no nariz. O café, o chocolate em pó, fruta elegante e flores.
Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho que já está bem bebível, complexo, já com um bom entendimento e equilíbrio entre as partes. Uma boa aposta. 17.

Quinta da Leda 2007

Um nome forte do produtor e do Douro. Um vinho já com um historial importante e que representa bem a região e todo o potencial que ela tem. É um vinho lançado cedo no mercado, com 2 anos de vida, mas que geralmente porta-se bem com alguns anos em garrafa.
Esta colheita de 2007 tem as castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. São escolhidas as áreas da vinho onde existe maior maturação. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.
Cor escura, profunda.
Aroma intenso e compacto, com fruta a lembrar framboesas, ameixas e cerejas. Continua com notas balsâmicas, com cera e pinhal. Toque floral e ligeiro tabaco.
Boca gorda e com uma bela acidez. Taninos robustos mas doces. Sabores muito frutados, envolvidos em notas balsâmicas, com cera. Sobra espaço para as flores e para toques minerais. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho ainda muito jovem, que precisa de tempo para mostrar o que vale. Neste momento mostra-se fechado, compacto, já com alguma elegância, mas um pouco rebelde. A provar daqui a uns anos. 17.

Batuta 2007

O Batuta é um dos vinhos mais conceituados do Douro, já muitas vezes presenteado com o prémio de Excelência da Revista de Vinhos. Um vinho que não sai todos os anos e que representa aquilo que esperamos de um grande vinho. A base do Batuta é a Vinha do Carril, com cerca de 70 anos de idade e virada a norte, onde as maturações são mais lentas e equilibradas e de vinhas velhas com cerca de 100 anos, perto de Quinta de Nápoles. As castas utilizadas foram a Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e outras. Estagia 20 meses em barricas de carvalho francês.
Tem uma cor escura.
Aroma intenso e concentrado. Notas frutadas intensas a lembrar cerejas e ameixas pretas. Especiarias, com notas de pimenta preta e leve baunilha. Temos ainda chocolate de leite e grãos de café. Fundo mineral.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Confirma o aroma. Temos lá a fruta, as notas de chocolate e café e ainda a mineralidade. Final longo e complexo.
Temos aqui um vinho onde se nota uma mudança de perfil. Onde tínhamos extracção, volume e fruta madura e compacta, temos agora um perfil mais fresco, menos frutado. Será menos guloso na prova, mas à mesa, onde ele deve ser apreciado, brilhará como poucos. 17,5.

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publicado por allaboutwine às 05:32 | link do post