Domingo, 14.03.10

Gravato Tinto Fresco 2008


Uma curiosidade. Um vinho especial, um tinto que deve ser bebido fresco. E quem mais poderia fazer este vinho senão Luis Roboredo. Já nos brinda com os seus tintos sérios e personalizados, com os belos Palhetes e agora com um tinto que deve ser consumido fresco.
E é um vinho com uma cor escura.
Aroma intenso com forte pendor vegetal bem acompanhado de fruta, que nos faz lembrar framboesas e ameixas. A boca é muito fresca e ligeiramente taninosa.

Gostei do vinho. Funciona muito bem numa temperatura baixa (12-14º), onde a sua bela acidez permite ao vinho ser muito boa companhia da mesa. Lembrei-me dos dias quentes de verão, quando  nos apetece coisas frescas e precisamos de um tinto para acompanhar uns grelhados. Parece que foram feitos um para o outro. 15,5.
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Domingo, 07.03.10

McGuigan Estate Shiraz tinto 2008


Ouvimos muitas vezes dizer que alguns vinhos portugueses têm perfil "novo mundo", principalmente quando falamos de vinhos alentejanos. Bem, só mesmo provando os tais vinhos vindos de fora é que conseguimos comprovar isso e para tal, nada melhor que um Shiraz australiano.

Devemos dizer que a adopção da casta foi perfeita e hoje conhecemos (pelo menos de nome) grandes vinhos australianos feitos com o Shiraz (Syrah em França, o seu país de origem). Quem não sente vontade de provar, de os conhecer? Devo confessar que estes vinhos fascinam-me.
Este vinho em prova custou-me pouco mais de 6 euros, parece-me ser gama de entrada do produtor.
Tem uma cor escura, violácia. Grande juventude no aroma, com notas de fruta preta, principamente ameixas, tosta, algum chocolate e pimenta preta. A boca é encorpada e com uma boa acidez. Tosta e fruta, tal como encontrámos no nariz. Final com bom comprimento e frutado.

Bem, podemos dizer que é um bom vinho, bem feito. Também podemos dizer que encontramos no Alentejo exemplares destes e mais baratos, não precisamos ir busca-los lá fora, já que são praticamente iguais.
Foi uma prova muito didática, pois assim comprovei a qualidade dos nossos vinhos com este perfil. 15,5.
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Quarta-feira, 03.03.10

Quinta d'Amigo tinto 2007

Continuo no Dão e na sua linha mais pura, mais regional, com uma novidade que nos chega de Paranhos da Beira.
Gosto quanto os vinhos estão ligados à terra onde nasceram, que nos transmitam os aromas e paladares de uma região, que tenham personalidade vincada, que tenham sotaque. Estou cansado de vinhos de determinada região mas que poderiam muito bem representar outra. Quando compro um vinho do Dão quero que ele me saiba a Dão.

Por esta razão, deu-me imenso prazer quando pela primeira vez cheirei este vinho. A sua cor escura impressiona, mas não tanto quanto os seus aromas balsâmicas, resinosos, por entre notas de fruta elegante, que nos lembra cerejas e framboesas, chá preto e bergamota. Aroma intenso e convidativo. A sua boca mostra-se muito fina e fresca, com uma secura que clama por comida para acalmar tamanha juventude.

É certamente um vinho a conhecer, que me deu muito prazer. Mais um achado no Dão, uma região que é pródiga em nos surpreeender com vinhos "escondidos", que quase nos aparecem assim, em jeito de surdina. 16,5.
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Terça-feira, 23.02.10

Quinta da Cassa tinto 2007

A Quinta da Cassa situa-se na margem esquerda do rio Douro, neste caso no Douro Superior. Um projecto recente, com vinhos cheios de qualidade e com preços que não assustam ninguém.
Desde a colheita de 2005 que os seus vinhos se apresentam com outra cara e que, a meu ver, para bem melhor. Em garrafa estilo Borgonha e com um rótulo de extremo bom gosto.

Segundo o produtor, só entram nesta marca as uvas com maturação perfeita, condições ideias para a produção de vinhos elegantes, objectivo da casa. A enologia está a cargo da VDS (Vinhos Douro Superior).
Esta colheita de 2007 foi feita com as castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca. Estagiou em barricas de carvalho.
A sua cor é rubi bem carregado.
Aroma intenso, que nos transmite desde logo uma sensação de bem estar, com um perfume abaunilhado por entre notas de fruta ácida a lembrar framboesas. Encontramos ainda aromas minerais e de cacau em pó.
A  boca tem um bom volume e excelente acidez. Muito fina, com a fruta muito bem conjugada com a madeira, onde se nota a baunilha sem ser excessiva e uma firme base mineral. Final longo e equilibrado.

Gostei imenso deste vinho. Sem ser um portento de complexidade, não o é, é um vinho muito equilibrado, com a fruta elegante, madeira bem integrada e acima de tudo com uma grande frescura. De perfil moderno mas sem perder as suas referências, é uma aposta ganha. Deu-me muito prazer. 16.
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Segunda-feira, 22.02.10

Azul Portugal (Douro) tinto 2008

Na continuidade das provas dos vinhos da marca Azul Portugal, viramo-nos para o Douro e para um vinho da autoria de João Silva e Sousa e Anselmo Mendes. As castas usadas foram a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Um vinho que não passou pela madeira.

Apresenta uma cor rubi escura, concentrada.
Aroma de boa intensidade e um pouco compacto, onde nos mostra logo as notas de fruta a lembrar framboesas ácidas, groselhas e ligeiro cassis. Tem uma forte faceta vegetal, lenho,  e um ligeiro balsâmico, com algumas notas de eucalitpo. Fundo floral com ligeiro toque alcoólico.
Boca de médio corpo e com uma boa acidez. Sabores austeros, com muito vegetal e algum álcool. A fruta nota-se mas está abafada por estes sabores mais fortes. Toque floral. Final mediano e fresco.

Temos aqui um vinho ainda muito jovem, e por isso ainda não está tudo muito bem definido. Não é um vinho muito frutado, longe disso, antes vira-se mais para a secura, rigidez e austeridade de aromas, com uma boa dose "puro Douro" bem vincada. Em suma, um vinho másculo que me parece ter sido feito e idealizado para a mesa, onde aí se tornará bom companheiro 14.
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Quarta-feira, 17.02.10

Prima tinto 2007

Deixamos o Douro entramos em terras espanholas, no Duero. Ao contrário do Douro, cujos vinhos de mesa são feitos com uma grande variedade de castas, no lado espanhol reina o Tempanillo (Tinta del País, Tinto de Toro), a nosso Tinta Roriz e mais a sul, o Aragonês. Em Portugal é principalmente uma casta de lote, em Espanha ela atinge o expoente máximo no que toca a qualidade. Os vinhos monovarietais de Tempranillo impressionam.

As Bodegas Mauro é um dos grandes produtores da região, com vinhos ícon como o Mauro, o San Roman e o Terreus. Na linha de entrada temos o Prima, um vinho que fica abaixo dos 10 euros e é feito com 90% de Tempranillo e 10% Granache. Estagiou durante 12 meses em barricas de 1 e 2 anos de carvalho francês e americano.
Tem uma cor escura, concentrado.
Aroma intenso e muito guloso. Entre algumas notas balsâmicas, com toques de cera e eucalipto, encontramos baunilha farta, doce de tomate e cerejas pretas. Ligeira nota especiada, com pimenta preta.
Boca encorpada e com uma boa acidez. Segue a linha do aroma, com sabores frutados, balsâmicos e doce de tomate. Final longo e guloso, mas com uma acidez capaz de compensar algum excesso.

Temos aqui um belo tinto. Um vinho moderno, muito guloso, num perfil que pode não agradar aos mais conservadores, mas ninguém lhe fica indeferente. Foi feito em Espanha mas podia ter sido feito em qualquer parte do mundo, assim tenham os meios e o conhecimento. Pode-se adquirir por menos de 10 euros. 16,5.
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Terça-feira, 16.02.10

Quinta do Côa tinto 2007

Voltamos as Douro, mais propiamente ao Douro Superior e à CARM, aqui com um vinho de quinta, da sua Quinta do Côa.
Os vinhos CARM já provados neste blog seguem todos uma linha qualitativa alta e principalmente  com preços muito aliciantes.

Esta marca da CARM, o Quinta do Côa, existe na versão colheita e Reserva. Deixo a prova do colheita 2007, a versão que está neste momento no mercado.
É feito com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca.
Cai no copo com uma cor escura, concentrada.
Aroma com boa intensidade e muito frutado, que nos lembra amoras e ameixas. Tem um lado mais especiado com pimenta preta e também algum mineral.
Boca com bom corpo e boa acidez. Fruta intensa e elegante em ambiente mineral. Algum vegetal de fundo. Final mediano e com alguma austeridade.

Gostei do vinho, que tem uma boa dose de austeridade, fruta elegante e contida. Está bem feito, é muito boa companhia na mesa. Uma boa aposta nos vinhos até 10 euros. Este custa cerca de 7/8 euros. 16.
publicado por allaboutwine às 11:26 | link do post | comentar
Domingo, 14.02.10

Negreiros tinto 2007

Depois de ter provado o 2005, deixo a prova do 2007. Um vinho feito com Touriga Naciona, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca e que estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês. Primeiro vinho com a enologia de João Brito e Cunha.

Tem uma cor muito escura, compacta.
Aroma intenso, com muitas  notas minerais e de chocolate preto amargo, cacau e baunilha. Em ambiente fumado aparecem as notas frutadas e que nos lembram framboesas, ginjas e groselhas.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Muito boa conjugação de sabores, onde a fruta aparece elegante e com a companhia de baunilha, cacau e notas minerais. Final longo e compacto.

Na minha opinião, é um vinho claramente superior à colheita de 2005. Um passo à frente na qualidade, pois passa de um vinho com perfil muito regional, muito fechado e egoísta, paras um vinho que, apesar de a marca da casa estar lá e o perfil esteja bem marcado, está mais solto, mais complexo e agradável de provar. Um belo vinho, ainda com vida pela frente. 16,5.
publicado por allaboutwine às 12:08 | link do post | comentar

Quinta do Monte D'Oiro Reserva tinto 2001

A Quinta do Monte D'Oiro é, talvez, o expoente máximo dos vinhos da região agora denomidada Lisboa.
José Bento dos Santos tomou conta de uma quinta que desde o século XVII era já conhecida pela qualidade dos seus vinhos.
O objectivo foi fazer vinhos de grande qualidade, de classe mundial e com sentido gastronómico. As castas escolhidas foram o Syrah (é conhecida a grande paixão de José Bento dos Santos pelos vinhos franceses do Rhone, onde esta casta melhor se exprime), Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot, Cinsaut e Viognier.

Os Quinta do Monte D'Oiro Reserva são feitos essencialmente com Syrah e um pouco de uma casta branca, cerca de 4% de Viognier, como também acontece com os vinhos do Rhone.
O vinho em prova é o Reserva 2001, que estagiou durante 24 meses em barricas novas de carvalho francês.
Tem uma cor escura, com toques acastanhados.
Aroma intenso e que nos transmite desde logo muitas notas balsâmicas, com muito verniz e cera (lembra-nos um soalho antigo e envernizado). A fruta está algo tapada, mas ainda conseguimos encontrar alguma compota por entre notas de tabaco e café.
Boca encorpada e com uma bela acidez. Muito ampla, espacial, que nos confirma inteitamente o nariz. Muitos balsâmicos, tabaco e alguma compota. Final longo e intenso.

Temos aqui um vinho onde se nota bastante a sua evolução. Já perdeu grande parte da fruta e as notas balsâmicas intensificaram-se, tornando-se até omnipresentes, não deixando espaço para que outros aorma se mostrem. É um bom vinho, disso não restam dúvidas, pena ser algo unidirecional. 16,5.
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Sexta-feira, 12.02.10

Negreiros tinto 2005

Uma história como muitas outras no Douro. Uma Quinta pertencente a uma familia  que produz  vinho generoso e que depois o vende às grandes empresas de Vinho do Porto, neste caso à Cockburn's.
É na Quinta das Amendoeiras o quartel general dos vinhos Negreiros. Desde os meados do século passado nas mãos da familia, o caminho foi engarrafar o vinho produzido. Para isso remodelaram a adega e no ano de 2004 arrancaram para marca própria.

Começaram a fazer vinhos com a enologia de Anselmo Mendes, situação que foi alterada após as duas primeiras colheitas, passando a ser dirigida em 2007 por João Brito e Cunha.
Vão ser provados as duas colheitas que estão no mercado, 2005 e 2007, dois anos diferentes, dois enólogos diferentes.

Começo pela colheita de 2005. Um vinho feito com castas tradicionais do Douro, assim como Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional. Estagiou durantes 15 meses em barricas e carvalho francês.
Tem uma cor granada com boa concentração.
Aroma com boa intensidade, que começa por nos dar alugmas notas licorosas e achocolatadas. Depois o aroma leva-nos para um ambiente mais duro, mais rústico, com notas de vegetal seco. Continuamos com flores e fruta, que nos faz lembrar cerejas e framboesas.
Boca com bom corpo e uma boa acidez e com os taninos a transmitir alguma (boa) secura. A fruta aparece elegante com cerejas e groselhas, que domina praticamente o palato. Final longo e com boa frescura.

Gostei deste vinho. Tem perfil clássico, com a fruta e as notas vegetais mais austeras dos vinhos da região. Tem um sentido altamente grastronómico. Não é um vinho de provas mas sim para a mesa. 15,5.
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