Festa do Vinho do Dão / Nelas 2009

Desta vez não perdi. Todos os anos adio a vinda à grande festa dos Vinhos do Dão, mas este ano aproveitei as restantes férias para ir visitar familiares da região, e claro, provar as novidades daquela região muito especial. Foram uns dias em grande.





Acedi ao convite da organização para um Press Release seguido de um almoço no restaurante Bem Haja, em Nelas. Estavam presentes jornalistas das revitas de vinhos de Portugal, de jornais locais, da Confraria de Vinhos do Dão e dos blogs de vinho portugueses. Neste último caso, só eu estive presente no evento. A apresentação foi feita por João Paulo Silva (Confraria de Vinhos do Dão) e João Paulo Gouveia (enólogo e Grão Mestre da Confraria). Um breve introdução à região, às suas características e aos seus vinhos. Esclarecedor.






Passámos ao almoço. Várias entradas regionais saborosas, seguidos dos pratos principais, de peixe e carne. Tudo num registo regional e tradicional. Estavam ótimos. Os vinhos para acompanhar estas iguarias foram escolhidos pelos organizadores, vinhos do Dão, claro.


Deixo aqui um breve registo dos vinhos provados:



Quinta do Cerrado Encruzado branco 2008 - Cor amarela pálida. Aroma de média intensidade, onde se destacam as notas citrinas, minerais e florais da castas. Bom corpo e boa acidez. A boca confirma o aroma. Belo final, com boa frescura. 16.


Casa de Santar Reserva branco 2008 - Um perfil diferente. Cor amarelo carregado. Notas intensas de madeira, baunilha, bem conjugado com a fruta citrina e exótica e com toques florais. Fundo mineral. Boca gorda e com boa acidez. Fruta, flores e baunilha marcam o palato. Final longo e guloso. 16,5.


Boas Vinhas tinto 2008 - Uma novidade. Cor rubi escuro. Notas elegantes de fumo, minerais e fruta fresca, como amoras e cerejas. Boca de médio porte e boa acidez. Muito frutada. Um vinho perfeito para o dia a dia já que vai andar na casa dos 3/4 euros. Um Dão para beber cedo. 15,5.


Quinta de Pinhanços Reserva tinto 2007 - Uma novidade de Álvaro Castro. Além deste Reserva existe o Colheita. Vai rondar o 8/9 euros. Cor rubi intensa e brilhante. Aroma complexo, com notas florais, balsâmicas, baunilha e fruta (amoras e cerejas). Boca com bom corpo e boa acidez. A boca confirma o que encontramos no aroma. Mais um belo vinho deste produtor, da única Quinta onde ainda não tinha vinhos. Cá estão eles. 16/16,5.


Quinta dos Roques Reserva 2003 - Um vinho já conhecido por mim, um amigo. Está numa fase muito boa. Complexo, com notas balsâmicas, caruma, resinas, fruta deliciosa como cerejas. Encorpado e fresco. Belíssimo vinho do Dão. A guardar. 17.




Um belo almoço e excelente companhia. A conversa fluiu, saltaram opiniões e estilos de vinhos, falou-se do futuro da região e o caminho a seguir. Unânime foi a qualidade dos vinhos da região, cada vez melhores.








Passou-se a uma prova organizada pelo escanção Manuel Moreira e patrocionada pela revista Wine. Os vinhos foram escolhidos pelo próprio e a ideia era prova-los e falar um pouco deles e da região em si. Ficou a ideia que Manuel Moreira é fã dos vinhos do Dão, vinhos esses que consideram muito gastronómicos. Estão sempre presentes nas cartas onde faz assessoria e no seu próprio restaurante. Bateu-se muito pelos acompanhamentos para estes vinhos, pelas sua propostas e o debate foi muito bem conseguido. Passemos aos vinhos provados, novidades do Dão.





Grilos branco 2008 - Cor muito clara. Aroma fino, com notas citrinas, minerais e flores. Boca muito fresca e de médio corpo. Com a subida de temperatura aparecem notas mais tropicais, de banana. Bom vinho. 15.


Morgado de Silgueiros branco 2008 - Um branco de Adega, aqui a mostrar que também se fazem bons vinhos nas Adegas do Dão. Cor citrina, com aromas um pouco mais pesados, com fruta madura, flores e toque vegetal. Boca com médio porte e boa acidez. Confirma os aromas do nariz. Bom final. 15.


Quinta do Cerrado Malvasia Fina branco 2008 - Cor amarela esbatida. Aroma mais delicado que os anteriores. Notas vegetais de chá, flores, e fruta a lembrar peras verdes. Boca com boa acidez e com corpo mediano. Ligeiramente adocicada e com sabores a chá e flores. Gostei. 15,5.


Nelus tinto 2007 - Uma autêntica surpresa. Um vinho que não chega a custar 2 euros. Fruta viva, flores, num perfil muito moderno. Comprar às caixas. 15.


Quinta das Estrémuas Touriga Nacional tinto 2005 - Cor escura. Aroma intenso, com notas de flores, fruta madura, especiado. Boca encorpada e com boa frescura. Sabores florais e frutados. Fundo abaunilhado. Um vinho moderno, um bom Touriga do Dão. 16,5.


Barão de Nelas tinto 2008 - Uma boa surpresa. Um vinho moderno, com notas de fruta madura, flores secas. A boca confirma o aroma. Encorpado e fresco. Temos aqui um barão bem moderno mas sem perder as características do Dão. 16.






Depois de jantar em família, passeámos pela feira. Foi motivo para provar as novidades do Dão.
Apenas algumas notas e pareceres, onde se provaram vários vinhos, alguns deles em condições difíceis (copos, temperaturas).
Tentei provar vinhos que ainda não tinha provado e produtores que não conhecia.
Comecei por um espumante rosé que ainda não tinha provado, o Quinta dos Carvalhais Reserva 2005. Um belíssimo espumante, muito frutado e floral, o topo dos espumantes rosé de Portugal. Andei em produtores como a Quinta da Espinhosa, com vinhos de belo efeito, passei pela Quinta dos Roques, onde provei vinhos que ainda não conhecia, tais como o recente Encruzado 2008, um vinho de belíssimo efeito mas ainda um pouco marcado pela madeira. Provei ainda o Alfrocheiro 2007, a meu ver o melhor exemplar da casta, o Touriga Nacional 2007, um vinho muito floral, acompanhado de fruta e baunilha. Os taninos estão ainda um pouco rebeldes. Um belo vinho. Segui para o Jaen 2006, muito bem conseguido (falámos na versão espanhola desta casta e do seu futuro) e acabei no Reserva 2003 das Maias, de uma vinha que já não existe. Muito bom. Na Casa de Santar, provei o Touriga Nacional 2006, um vinho que não se encontra facilmente. Um vinho floral e de perfil muito balsâmico, com notas de caruma e resinas. Passei a outro produtor quase desconhecido, a Casa da Ínsua, onde provei desde o branco colheita 2007, um vinho de belo efeito e que tem a casta Semillon no seu blend, o rosé 2008, bom, o tinto colheita 2005, fechado, e os Reserva 2003/04/05. São vinhos que têm a casta Cabernet Sauvignon no seu blend. São vinhos muito duros, que precisam de alguns anos para se mostrar. Continuei na Quinta do Carvalhão Torto, que foi uma bela surpresa. Vinhos belíssimos e que vou acompanhar com muita atenção. Dos melhores da feira. Passei à Fonte Gonçalves, onde os vinhos estvam muito quentes, tornando-se quase impossível a prova. A Quinta do Mondego confirmou o seu belíssimo Munda 2006, um grande vinho do Dão. Outro produtor que não conhecia os seus vinhos, a Casa Monte Aljão. Depois do colheita 2004, de muito bom nível, o branco colheita 2008, feito de vinhas velhas, com fortes aromas a frutos secos e belíssima acidez, veio a surpresa da noite, o Monte Aljão Raro 2004, um senhor vinho, um autêntico blockbuster com um preço de 15 euros. Os vinhos da Quinta do Margarido sofriam do mesmo mal de outros, temperaturas muito quentes. A Quinta da Fata foi pelo mesmo caminho. Outra surpresa foi o Quinta D'Amigo tinto 2007, um belo vinho. Conheci ainda um vinho, o Flor de Nelas 2008, que se mostrou uma boa opcção para o dia a dia.




A convite do Arq. José Perdigão, fiz uma prova completa dos seus vinhos. Impressionante a qualidade e consistência dos seus vinhos. Passo a descrever.
Rosé 2008 - Aroma intenso e fruta gulosa acompanha de flores. Gostei muito. 16/16,5.
Colheita 2006 - Belo aroma, com fruta e flores e uma boca a condizer. Uma das melhores escolhas neste nível de preços. 16.
Alfrocheiro 2007 - Belo aroma, delicado e cheio de fruta. Elegante. Muito bem, ao nível dos melhores desta casta. 16,5.
Reserva 2005 - Aroma intenso, profundo. Muita fruta, flores, bergamota, mineral. Boca encorpada e fresca. Confirma o nariz com toques abaunilhados. 17/17,5.
Touriga Nacional 2006 - Belo aroma, flores, fruta gulosa, ligeiro balsâmico. Boca gorda e bela acidez. Um grande Touriga. 17/17,5.
Acabei assim a caminhada pela feira. Foi a prova viva que o Dão está bem e recomenda-se.
Até para o ano.
publicado por allaboutwine às 10:02 | link do post | comentar