Segunda-feira, 12.04.10

Fim do Pingamor e começo do All About Wine

Caros amigos, isto já estava a ser pensado há muito tempo. Já passaram 3 anos desde o começo desta aventura e, como disse na passagem do terceiro aniversário, já me toma grande parte do tempo.

Com esta mudança, adoptei uma linha mais séria que já havia tomado e que não correspondia de todo ao nome que criei no começo deste projecto, desta brincadeira.

Espero que continuem a seguir o All About Wine como o fizeram com o Pingamor.

publicado por allaboutwine às 22:31 | link do post | comentar

Quinta de La Rosa LBV 2005

Temos em prova um LBV de uma das casas mais emblemáticas do Douro. Uma mudança de imagem arrojada, com uma garrafa atípica, mas com um forte pendor moderno, urbano, jovem, até mesmo fashion. Um pouco arriscado, longe dos parâmetros normais e conservadores, mas é a resposta a quem pede mudanças na imagem do Vinho do Porto, sob pena de ficar uma bebida esquecida pelos novos consumidores, de ficar demodé. A minha opinião é que resultou muito bem, deu-me vontade de comprar.

 

Foi feito com as castas tradicionais do Douro, tais como Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Roriz. Estagiou em tonéis durante 4 anos até ser engarrafado e posto à venda.

Tem uma cor rubi muito escuro.

Aroma intenso e compacto. Notas de frutos secos, em especial figos, fruta madura, quase compotada (ginjas e framboesas). Além da fruta, aparecem apontamentos minerais e de flores, mato, que me fez pensar em rosmaninho.

Boca volumosa e com boa acidez. Bem frutada e muito bem composta por flores, mato, mineral. Final longo e saboroso.

 

Um vinho que é difícil não gostar, jovem, robusto, boa complexidade e principalmente, muito guloso. É uma pena vinhos destes ficarem nas prateleiras, dada a sua qualidade, o seu prestigio, a sua história. Uma compra acertada. 16.

publicado por allaboutwine às 22:22 | link do post | comentar

CARM Reserva tinto 2007


Depois das provas dos colheitas tinto e branco e também do reserva branco, chegou a hora do reserva tinto.
Aquilo que melhor caracteriza este vinhos são a tremenda relação entre o preço e a qualidade. Vinhos muito bem feitos, com um perfil moderno, prontos a beber. Uma aposta segura, para quem quer beber bons vinhos sem gastar muito dinheiro o que, com os tempos que correm, é cada vez mais importante.

Este reserva 2007 foi feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Parte do vinho (1/3) estagiou em barricas de madeira americana e a outra parte em francesa (2/3).
O vinho tem uma cor escura, violácea.
O aroma é intenso e conquistador logo ao primeiro contacto. São as notas gulosas de baunilha e de chocolate que nos cativam e prendem ao copo. Depois de um bafo mineral mais sério, vem a fruta que nos faz lembrar cerejas, ameixas e groselhas. Tudo isto num ambiente floral e especiado.
A boca tem um bom volume e uma bela acidez. Confirma inteiramente o que ancontramos no nariz, sempre com um perfil guloso e conquistador. Final longo.

Temos aqui um vinho que é muito fácil de gostar. Boa complexidade, perfil moderrno, boa fruta, alguma gulodice mas sempre com grande frescura. Uma aposta mais que certa abaixo dos 10 euros. 17.
publicado por allaboutwine às 02:44 | link do post | comentar
Domingo, 11.04.10

Grandes Quintas tinto 2007


Temos aqui mais uma novidade vinda do Douro, da Sociedade Agrícola Casa d'Arrochella, sita em Vila Nova de Foz Côa. Com cerca de 115 hectares de vinha no Douro Superior, este produtor que também lança uma marca de azeite de grande qualidade (também ele Grandes Quintas), entra no mercado com dois vinhos tintos, um colheita e um reserva, ambos de 2007. A enologia está a cargo de Luis Soares Duarte, criador de alguns dos melhores néctares de Douro.

Para o  Grandes Quintas Colheita 2007 foram usadas as castas Touriga Nacional (60 por cento),  Touriga Franca e o Tinta Barroca. Da vinha do Vale de Canivens nas margens do Rio Douro, vieram ainda a Tinta Amarela, a Tinta Roriz e a Touriga Nacional. Estagiou durante 17 meses em cubas de inox e 4 meses em barricas de carvalho francês.
Resultou num vinho com uma cor escura, violácea.
Aroma com boa intensidade e aprazível. Notas de fruta fresquíssima, onde temos a framboesa, a cereja e a ameixa. Chocolate preto e fundo mineral. Toque floral e abaunilhado.
Boca de bom volume e com boa acidez. É elegante, frutada, com toques de chocolate e flores. Final longo e guloso.

Gostei deste vinho. Muito bem feito, moderno, com muita e boa fruta, com toques gulosos de chocolate e baunilha. Impossível não gostar. Um começo auspicioso. 16.
publicado por allaboutwine às 13:13 | link do post | comentar
Quinta-feira, 08.04.10

Hartenberg Pinotage tinto 2006


A casta Pinotage nasceu do cruzamento da Pinot Noir com a Cinsaut. O seu criador, o sul africano Abraham Izak Perold, foi enviado pelo governo da Cidade do Cabo para procurar pelo mundo castas que se poderiam adaptar à região com a finalidade de fazer vinhos. Ele voltou com 177 variedades , que ainda hoje existem Welgevallen Exprimental Farm da universidade de Stellenbosch (EUA). Com grande conhecimento das castas mundiais, a sua selecção para a criação da Pinotage pareceu, na altura, estranha. Escolheu a casta raínha francesa Pinot Noir e uma casta muito usada localmente e com bons resultados, a Hermitage (Cinsault). Plantou algumas sementes no jardim da sua residência. Depois de desavenças entre Perold e a universidade onde trabalhava, o espaço foi abandonado e assim permaneceu durante algum tempo. Tempos depois e duranteuma limpeza ao espaço, Dr. Charlie Niehaus, sabedor da experiência de Perold, conseguiu recuperar as sementes. Elas foram replantadas num outro espaço. Assim, começaram as experiências com bons resultados. Os primeiros vinhos produzidos com a casta apresentavam-se encorpados e com uma cor mais carregada que as castas que lhe deram origem. Aromas iniciais químicos que que passados dois anos em garrafa desapareciam, vindo a fruta ao de cima. Os vinhos evoluíram e hoje em dia, o Pinotage é sinónimo de vinhos da África do Sul.

Aproveitei uma pequena feira de vinhos de África do Sul num hipermercado para comprar um Pinotage. Não conheço a casta e vi uma ali uma oportunidade para suprir este falha. Escolhi um vinho de 2006, com 23 meses em barricas novas (50%) e barricas de segundo ano (50%). Custou-me perto de 7 euros.
Cor rubi escuro.
Aroma intenso e que começa com muitas notas balsâmicas, a cera, verniz. A fruta aparece sob forma de ginjas e ameixas. Notas gulosas de chocolate, cacau em pó, tabaco.
Boca com bom corpo mas um tanto vertical, com a acidez suficiente e bem integrada. Um final marcado pela fruta e pelas notas balsâmicas.

Gostei desta minha primeira experiência com o Pinotage. Um vinho com um belo aroma, boa complexidade, mas com a boca que, apesar de ter alguma estrutura e sabor, não preenche a boca, restando apenas a fruta doce e os balsâmicos. Poderá ser um vinho que para muita gente se pode tornar enjoativo, dada a falta de acidez e de alguma vida na boca. Por cerca de 7 euros, vale bem a pena.
Deixo uma pergunta a quem me souber responder: como é que um vinho deste, com o tratamento que teve, o tempo de estágio que teve, pode percorrer estes kms todos e chegar a Portugal com um preço destes? 16.
publicado por allaboutwine às 06:44 | link do post | comentar
Quarta-feira, 07.04.10

Quinta da Murta rosé 2006


Um rosé de 2006...a última experiência que tive com um rosé com alguns anos em cima não correu lá muito bem. Tenho a opinião que são vinhos para serem bebidos no ano que saem ou no máximo no ano seguinte, pois são vinhos que vivem da sua juventude, da fruta fresca bem combinada com maior ou menos acidez (depende do estilo de rosés), são vinhos de festa, de lazer. Agora eles estão mais frescos, mais gastronómicos (alguns deles, não se conseguem mesmo beber sem comida, tal é a acidez), mas sempre com a componente de fruta fresca por trás. São muito poucos aqueles que são feitos para evoluír em garrafa, que melhorem com alguns anos em garrafa.

A Quinta da Murta usou a sua Touriga Nacional e também Syrah para fazer este rosé. Conhecemos bem o perfil da Touriga da Murta, o perfil com que querem que saiam os vinhos da Murta, por isso não estranhei o perfil seco deste rosé. A cor não assustou, ainda astá viva, a fugir para o tijolo. O aroma ainda presenta alguma fruta fresca, especialmente morangos maduros, mas tem já notas notórias de evolução, com chocolate branco, curiosos frutos secos (amêndoa), toque ardente (álcool), e uma restia de flores. A boca tem um corpo mediano e uma bela acidez (como estava à espera). Confirma o aroma, com um final amargo, quente.

Temos aqui um rosé que, seguramente, já passou pelo seu melhor. Ainda tem alguma fruta, uma boa acidez, mas o álcool também faz questão de estar presente. Entretanto, à mesa ainda se porta bem. Noto-lhe qualidades mas, seguramente, não é o meu estilo. 14.
publicado por allaboutwine às 05:37 | link do post | comentar
Terça-feira, 06.04.10

2 rosados espanhóis

No decorrer de mais um jantar com um amigo, tive a oportunidade de provar dois rosados de nuestros hermanos. A expectativa era alta num deles, o Clan 2009, dado que há pouco tempo tinha provado o 2008 e foi, provavelmente, um dos melhores vinhos roses que provei até hoje. Um vinho com fruta limpíssima, elegante, bela acidez. O outro vinho era desconhecido para mim.

Clan Charco las ANimas rosado 2009


Um vinho com uma cor vermelha sangue, escura.
Aroma intenso e de belo efeito, com a fruta vermelha a vir ao de cima, com notas de morangos, framboesas, rebuçado. Algumas notas florais a rosas.
Boca com bom corpo, acidez suficiente e bem integrada. A fruta domina, mas o álcool vem ao de cima, com os seus 14,5 de volume. É uma pena o ardor que no final (não me chocou muito), pois a fruta está no ponto, está muito limpa e apetitosa. Inferior à colheita de 2008. 15,5.

Arrayán rosado 2008


Substâncialmente diferente do anterior. A cor é escuríssima para um rosé, um rubi bem definido.
Nariz com intensidade mediana, onde a delicadeza marca o aroma. Notas de fruta vermelha ligeira, acompanhada de toque de ervas frescas, a lembrar hortelã.
Boca com volume mediano e boa frescura. A fruta marca presença de forma delicada, tal como no final, bem alicercerada pela acidez.
O vinho vai abrindo durante a prova mas sempre de forma contida. Um outro estilo, talvez mais virado para a mesa. 15.
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publicado por allaboutwine às 13:41 | link do post | comentar

Quinta do Carvalhão Torto Jean / Alfrocheiro tinto 2004


Quando em Setembro de 2009 fui à feira do vinho de Nelas, a Quinta do Carvalhão Torto foi um dos produtores cujos vinhos mais me impressionaram.
As vinhas e adega do produtor são em Nelas, mesmo à entrada da cidade. Curioso, pois já passei várias vezes nessa estrada e nunca me tinha apercebido do tesouro que ali está. É um empresa familiar que decidiu criar a sua prórpria marca e engarrafar os vinhos. E em boa hora o fez, pois são belos vinhos, com uma visão muito prórpria do Dão, com muita qualidade. Aliás, segundo o produtor, os vinhos ficaram desde logo muito bem classificados em concursos, o que não deixa de ser bom para o começo de um projecto.

Depois de prova na feira de Nelas, tenho oportunidade de os provar de novo, agora em casa, agora com toda a atenção que eles merecem.

Este vinho da colheita de 2004 foi feito com duas castas tradicionais da região, duas castas que gosto bastante, duas castas muito mal aproveitadas no Dão, o Jaen e o Alfrocheiro.
Nota-se já uma evolução no vinho, tanto na cor, com uma vermelho escuro a fugir para o tijolo, e também no aroma, com notas de fruta passificada, figos secos, bem amparada por aromas minerais, terra húmida. Algum chocolate de leite e tabaco. A boca tem bom volume e uma acidez que chega para amparar a fruta doce, em passa. Temos ainda o tabaco, que marca um pouco um final com bom prolongamento.

Um vinho bem curioso, com evolução notória, com qualidade, mas onde talvez falte um pouco mais de acidez, de vida na boca. Um aroma que apetece cheirar, doce sem ser enjoativo, com tudo muito bem controlado. Está muito bom para ser bebido nesta altura. Um vinho a conhecer. 16.
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Segunda-feira, 05.04.10

Aneto Colheita Tardia branco 2007


A primeira vez deste Colheita Tardia foi em 2005 e logo entrou nas escolhas dos enófilos no que toca a colheitas tardias portugueses. É um dos raros vinhos portugueses que são feitos com os cachos botrytizados e um dos melhores exemplares portugueses neste tipo de vinhos doces.

Francisco Montenegro já nos habituou a vinhos belíssimos, com os seus tintos cheios de qualidade, Douros puros, vinhos de terroir, com os seus brancos elegantes, complexos e cheios de frescura. Os colheita tardia não podiam fugir à regra, com vinhos intensos, complexos e muito frescos. Um deleite.

À semelhança dos Sauternes, as uvas usadas para este vinho são da castas Semillon, que são apanhadas tardiamente em Dezembro quando estão muito maduras e atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês depois da fermentação ser feita em inox.
Cai no copo com uma cor amarela muito forte, quase laranja.
Aroma intenso e profundo, onde as notas de frutos secos, mel, alperces secos saltam logo para fora do copo. Tem um lado mais austero, com algumas notas mais químicas.
Boca volumosa, larga e muito fresca. Confirma o aroma, com o mel, frutos secos e alperce marcam o palato. Muito longo, doce e muito fresco.

Temos aqui um belo colheita tardia, intenso, volumoso e principalmente muito fresco, o que contrabalança e duçura rica que o vinho tem. Perfeito para acompanhar patés e foie gras e também algumas sobremesas não muito ricas. Por cerca de 15 euros podemos beber um vinho cheio de qualidade. 17.
publicado por allaboutwine às 11:35 | link do post | comentar

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