Quarta-feira, 17.03.10

Vale da Murta Touriga Nacional & Syrah tinto 2006


Este tinto chega-nos da Quinta da Murta, de Bucelas. Um tinto feito numa zona de brancos, numa zona onde o Arinto domina. Numa zona onde o clima fresco é propício aos brancos, tendo as castas tintas dificuldade de maturação, principalmente as de maturação longa.
Depois desta introdução, como é que se iria  portar este tinto de 2006 feito com a nossa Touriga Nacional e com a francesa Syrah? Devo dizer que a curiosidade era muita, ainda para mais quando os nossos principais críticos "malham" nestes vinhos a torto e a direito. Teve direito a estágio em madeira.

No copo, mostra uma cor escura, sem ser opaca.
Aroma com boa intensidade e que começa logo por nos mostrar notas vegetais e florais (a Touriga começa por dominar o aroma). Notas austeras que  são bem compensadas por fruta (contida) que nos faz lembrar cerejas e chocolate amargo, tipo 100% cacau.
Boca com bom corpo e uma bela acidez. Continua na linha do aroma, com as notas vegetais e florais a comandarem o palato. Final longo, seco e com alguma especiaria.

Não é um vinho fácil, não senhor, mas deu-me bastante prazer prova-lo e bebe-lo. Muito vegetal, com fruta contida e boa secura, é sua imagem de marca. Com o tempo no copo vamos encontrando mais alguma coisa, como o chocolate amargo, dizendo que devemos esperar e ter um pouco de paciência com ele. Esteve aberto durante três dias e isso só o ajudou a mostrar o seu potêncial. Gostei sinceramente do vinho e a minha nota reflete isso mesmo. 16.
publicado por allaboutwine às 06:47 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Terça-feira, 16.03.10

Espumantes - Portugal e Brasil

Tive oportunidade de provar uns quantos espumantes portugueses e brasileiros. Não estive na prova original, mas os meus amigos trataram de me guardar uns quantos.
Foi uma prova muito didática, onde fiquei a conhecer o que parece-me ser o perfil dos espumantes brasileiros. Gostei do que provei. Espumantes muito elegantes, finos, com aromas frutados e com uma acidez equilibrada. São perfeitos para serem bebidos como aperitivo ou com entradas nâo muito pesadas. São verdadeiros espumantes de confraternização. Outra mais valia é a imagem, rótulos muito bonitos e apelativos.
Os espumantes portugueses são mais sérios, mais encorpados e com uam acidez mais elevada. São verdadeiros espumantes para a mesa. Parecem-se ser capazes de evoluír melhor em garrafa. Qualidade não lhes falta. Provei dois espumantes que estão na ribalta, o Vértice Gouveio e o Kompassus, ambos muito bem vistos pela nossa crítica.
Uma bela prova, com uma média qualitativa muito alta.

Deixo aqui umas pequenas notas dos espumantes provados por mim.

Brasil

Chandon Excellence Cuvée Prestige


Bolha fina. Muito fresco, mineral, fruta citrina. Boca com boa frescura e muito elegante. Final longo. Gostei bastante. 16,5.

Cave Geisse Natur 2007


Cor amarelo vivo e com bolha fina. Aroma intenso e citrino, mineral, alguma geleia. Muito fresco e com bom volume. Bom. 16.

Casa Valduga 130 Brut


Amarelo intenso. Aroma muito citrino e tropical, com maracujá, limão, lima. Mineral. Boca fresca com um final algo curto. Um perfeito espumante para aperitivo. 16.

Nero Gran Reserva Extra Brut


Aroma com boa intensidade e boa frescura, onde encontramos fruta (citrinos) e geleias. Fumados, mineral. Volumoso e muito fresco. Talvez o espumante brasileiro mais austero e indicado para a mesa. 16,5.

Portugal

Vértice Gouveio Bruto


Cor amarelo palha. Aroma a fermento, mineral, muitos citrinos,. Boca com bom volume, muito fresca e muito elegante. Um belo espumante, muito intenso e perfeito para a mesa. 17.

kompassus  Blanc de Noirs 2006


Amarelo ligeiramente rosado. Muito austero, ligeiramente frutado e com notas de fermento. Boca muito fresca, com citrinos. Uma bela estreia. Feito para a mesa. 16,5.
publicado por allaboutwine às 14:11 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 15.03.10

Azul Portugal (Palmela) tinto 2007

Provo agora mais um vinho Azul Portugal, um vinho que nos chega de Palmela, da Casa Ermelinda Freitas e com a enologia de Jaime Quendera. Mais um vinho da empresa Wines & Winemakers que está esgotado. Bom sinal.

Como era de esperar, o vinho é feito com Castelão e passa 4 meses a estagiar em meias pipas de carvalho francês e americano.
Tem uma cor escura, jovem.
Aroma com boa intensidade, que nos começa logo a dar alguma notas metálicas que, com o arejamento, passa a fruta bem desenhada, com morangos, ameixas e framboesas. Ligeiro toque abaunilhado.
A boca tem corpo mediano e boa frescura. Boa presença da fruta, com ligeiro toque de baunilha. Final mediano e frutado.

Temos aqui um vinho que está  bem feito, aliás, como já nos habituou a Casa Ermelinda Freitas e Jaime Quendera. Um bom vinho para o dia a dia, um bom vinho de Castelão, a mostrar que a casta, vinificada como deve ser, pode dar grandes vinhos e também vinhos baratos e bem feitos. 14,5.
publicado por allaboutwine às 04:43 | link do post | comentar
Domingo, 14.03.10

Gravato Tinto Fresco 2008


Uma curiosidade. Um vinho especial, um tinto que deve ser bebido fresco. E quem mais poderia fazer este vinho senão Luis Roboredo. Já nos brinda com os seus tintos sérios e personalizados, com os belos Palhetes e agora com um tinto que deve ser consumido fresco.
E é um vinho com uma cor escura.
Aroma intenso com forte pendor vegetal bem acompanhado de fruta, que nos faz lembrar framboesas e ameixas. A boca é muito fresca e ligeiramente taninosa.

Gostei do vinho. Funciona muito bem numa temperatura baixa (12-14º), onde a sua bela acidez permite ao vinho ser muito boa companhia da mesa. Lembrei-me dos dias quentes de verão, quando  nos apetece coisas frescas e precisamos de um tinto para acompanhar uns grelhados. Parece que foram feitos um para o outro. 15,5.
publicado por allaboutwine às 14:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Um dia em Vale D'Algares

Passei um dia com a família em Vila Chã de Ourique, Cartaxo, no fabuloso empreendimento Vale D'Algares. Impressionante como neste local há muito pouco tempo só existia mato.
Havia um evento hípico (a minha mulher e filho adoram) e eu queria conhecer mais de perto a realidade no que toca aos vinhos. Com o evento não o consegui, mas foi um dia bem passdo com a família. Ah, comemos uma bela sopa da pedra.
Deixo aqui algumas fotografias do passeio.











publicado por allaboutwine às 12:13 | link do post | comentar
Quarta-feira, 10.03.10

3 anos


Já passaram três anos desde o início deste blog.
Após um segundo ano onde a desistência pairou no ar, este terceiro ano foi  em grande. Foi um ano em que conheci pessoalmente muitos dos bloggers nacionais, em que começámos a provar juntos, em que me tornei amigo de alguns deles. Num ano em que a blogosfera vínica em Portugal foi muito falada e debatida, foi precisamente nele que houve um claro crescimento nas visitas e uma aposta dos produtores em dar os seus vinhos à prova nos blogs e em convidarem-nos para visitas. Deixo aqui um sincero agradecimento a quem apostou e acreditou no Pingamor, colocando os seus vinhos à prova, sabendo dos riscos que tomariam ao faze-lo. Espero não ter defraudado as vossas expectativas e ter sido justo. Conheci alguns deles pessoalmente e só posso dizer bem. Pessoas simpáticas, afáveis, de grande carisma, tal como o seus vinhos.
Também foi um ano de grande aprendizagem, principalmente nos vinhos estrangeiros. Conheci outras realidades, vinhos diferentes, grandes vinhos. Um mundo a descobrir.
Este quarto ano que entrou vai ser especial. Vou ser pai pela segunda vez, o que me vai ocupar grande parte do tempo. Em relação ao vinho, dar-lhe-ei toda a atenção possível, continuarei a provar com os amigos. Faz parte da minha vida, está-se a tornar um caso sério.
Deixo um especial abraço quem tem frequenta este blog, a quem tem paciência de ler os meus textos.
Muito obrigado.
tags:
publicado por allaboutwine às 01:55 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 09.03.10

Azul Portugal Escolha (Vinhos Verdes) branco 2008

Continuo agora a prova dos vinhos Azul Portugal, de onde vem este branco da Região dos Vinhos Verdes. Chega-nos pela mão de Anselmo Mendes, cuja enologia também é feita por ele.
Feito com as uvas Arinto e Trajadura, teve tratamento em cubas de inox, onde também estagiou.

O vinho mostra uma cor bem citrina, brilhante.
Aroma com boa intensidade, e onde se nota logo a frescuta de aromas característicos da região. Muitos citinos, principalmente limão, vegetal, com lembranças de relva acabada de ser cortada, minerais frescos e com um toque floral.
A boca é de corpo mediano e tem uma bela acidez. Confirma inteiramente o aroma, com uma mistura de citrinos, vegetal, mineral e flores. Final longo sustentado na acidez.

Um bom vinho branco, com um grande frescura, desde o aroma ao fim de boca. Um vinho que, apesar de ser muito jovem, está perfeito para ser bebido neste momento, principalmente com entradas e mariscos cozidos. É um vinho típico (bem feito) da região e um caso de sucesso, já que a produção está toda vendida. 15.
publicado por allaboutwine às 03:22 | link do post | comentar
Segunda-feira, 08.03.10

Quinta da Murta Clássico branco 2007

 

Um vinho que nos chega de Bucelas e com uma imagem lindíssima, digo eu.
A Quinta da Murta é um dos principais players da região, com vinhos claramente indicados para a mesa, com perfil seco e personalidade forte. Entretanto, são muito mal vistos pela nossa crítica especializada, vá-se lá saber porquê. Por um lado pedem vinhos diferentes, longe daqueles que saturam o mercado, por outro lado, quando esses vinhos aparecem são mal cotados porque são...diferentes, muito secos, difíceis.

Em Bucelas o Arinto domina. Neste caso teve fermentação em barricas de carvalho francês e americano e mais 3 meses de estágio em presença das borras, com batonage.
Brinda-nos com uma cor amarela carregada e brilhante. Aroma intenso e muito curioso. Lembrou-me logo flores secas tipo potpourri  e também incenso. A fruta é citrina e madura por entre notas gulosas de baunilha. Boca com bom corpo e com uma bela acidez. Continuam as notas de limão maduro, tipo limonada bem açucarada e as flores secas. Acaba longo e sempre com grande frescura.

Não conseguia tirar o nariz dentro do copo e penso que isso é o melhor que se pode dizer de um vinho. Os aromas prenderam toda a minha atenção e eu gostei deles. Grande frescura e boa amplitude.
É um vinho diferente? É, com certeza. Se gostei dele? Muito. Se recomendo? Nem que seja para dizer mal. 16,5.
publicado por allaboutwine às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Domingo, 07.03.10

McGuigan Estate Shiraz tinto 2008


Ouvimos muitas vezes dizer que alguns vinhos portugueses têm perfil "novo mundo", principalmente quando falamos de vinhos alentejanos. Bem, só mesmo provando os tais vinhos vindos de fora é que conseguimos comprovar isso e para tal, nada melhor que um Shiraz australiano.

Devemos dizer que a adopção da casta foi perfeita e hoje conhecemos (pelo menos de nome) grandes vinhos australianos feitos com o Shiraz (Syrah em França, o seu país de origem). Quem não sente vontade de provar, de os conhecer? Devo confessar que estes vinhos fascinam-me.
Este vinho em prova custou-me pouco mais de 6 euros, parece-me ser gama de entrada do produtor.
Tem uma cor escura, violácia. Grande juventude no aroma, com notas de fruta preta, principamente ameixas, tosta, algum chocolate e pimenta preta. A boca é encorpada e com uma boa acidez. Tosta e fruta, tal como encontrámos no nariz. Final com bom comprimento e frutado.

Bem, podemos dizer que é um bom vinho, bem feito. Também podemos dizer que encontramos no Alentejo exemplares destes e mais baratos, não precisamos ir busca-los lá fora, já que são praticamente iguais.
Foi uma prova muito didática, pois assim comprovei a qualidade dos nossos vinhos com este perfil. 15,5.
publicado por allaboutwine às 14:04 | link do post | comentar
Sábado, 06.03.10

Laurenz V. Charming Grüner Veltliner branco 2007


90 pontos Wine Spectator servem para alguma coisa? Pelo menos a mim serviram-me para comprar este vinho por 20 euros e também para a garrafeira que os publicitava junto a ele. Um branco austríaco, com uma imagem bonita, com uma casta por mim pouco conhecida mas que dá cartas naquele país e os 90 pontos publicitados junto ao vinho, levaram-me a gastar uma quantia considerável por este branco, assim às escuras.

A primeira vez que o provei foi com um grupo de amigos e a avaliação não foi positiva, ficando claramente atrás do Síria e dos Encruzado do João Tavares e Pina. A opinião foi unânime. Voltei a ele dias mais tarde, dando-lhe toda a atenção e oportunidade. O aroma mostrou-se austero, com muito citrinos e minerais, com a companhia de alguma flores brancas. A boca tem bom volume e uma excelente acidez, mantendo a austeridade encontrada no nariz. Final longo e muito fresco.

Tirei duas conclusões desta prova. Primeira, devemos sempre dar ao vinho a oportunidade de mostrar o que ele vale, em variadas situações. Segunda, nunca mais compro um vinho guiando-me somente por uma nota. Pelo preço que paguei por ele, safava-me com vinhos portugueses muito mais baratos.
Não é um mau vinho, nada disso. É um vinho onde a fruta se nota muito pouco, seguindo uma linha mais austera, mineral. É bastante fresco e com uma boa secura. Um vinho para a mesa. 16.
publicado por allaboutwine às 11:05 | link do post | comentar

mais sobre mim

pesquisar neste blog

 

Março 2010

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
19
20
24
26
28
29

posts recentes

últ. comentários

  • Olá Miguel,Sou leitor atento do teu blog e não res...
  • Aqui parece que não concordamos. Eu acho este 2007...
  • José Diogo,É realmente um belo porto com um grande...
  • Olá André.Sê vem vindo a esta humilde casa. Fiquei...
  • Também o achei bem austero na abertura. Ao princíp...
  • Oi Miguel, muito de acordo com o teu descritivo, u...
  • interessante.
  • Nesta prova já não concordo assim tanto, pessoalme...
  • Completamente de acordo com esta nota de prova!Ali...
  • Bom dia, estamos a lançar um projecto de blogue de...

Posts mais comentados

arquivos

tags

todas as tags

links

subscrever feeds