Oscar's tinto 2008

Venho agora falar de mais uma novidade do Douro.
Tenho alguma dificuldade em descrever este vinho, este projecto, porque tudo o que irei dizer ficará aquém do merecido. Não quero dizer com isto que seja um vinho único, transcendental, mas sim o modo como foi criado e o conceito onde está inserido.

A história da marca Quevedo remonta ao recente ano de 1991, mas a história de vinhas e vinhos da família já é longa. Foi, no fundo, o colmatar de muitos anos de dedicação e querer dar vida a uma paixão.
Nos anos 70, Beatriz e Óscar decidem assentar arraiais em S. João da Pesqueira. É aí, ao tomar contacto com o vinho e tudo em seu redor, que os fez apaixonar pela arte. Decidiram então engarrafar os vinhos que produziam quando, nos anos 90, decisiram contruir uma adega na Quinta da Alegria, centro de operações da Quevedo. O turismo também passou a ser importante para a família, e não é para menos, já que a beleza do Douro é estonteante.

Este vinho em prova é a primeira incursão do produtor nos vinhos de mesa. Agora com o filho, também ele Óscar, decidiram criar um vinho com uma imagem divertia, moderna, cosmopolita, jovem, e usando locais como a Social Media para o divulgar. Esta forma irreverente de mostrar o vinho ao mundo vem confirmar a importância crescente da internet na divulgação de produtos.
O rótulo é maravilhoso e o contra-rotulo mais ainda. Um convite para questionar directamente o produtor sobre o vinho e deixar a sua opinião.
Como o próprio Óscar Quevedo (filho) diz, o Oscar's não é um vinho de excelência, antes um vinho para apreciar com amigos, despreocupadamente depois de um dia de trabalho, quantas vezes o quisermos, já que é acessível à bolsa.
Com a enologia de Cláudia Quevedo, irmã de Óscar (filho), temos então este tinto feito com 60% Touriga Nacional e 40% Tinta Roriz. Estagiou em barricas de carvalho francês. Como jovem que é, tem uma cor escura, quase violácea. O aroma tem boa intensidade, mas principalmente agrada-me pela calma que transmite. Notas de fruta vermelha como morangos e ginjas, a par de chocolate, algumas flores e ainda um toque mineral. A boca segue a linha do nariz. Perfeito para beber, com bom corpo e uma acidez bem enquadrada, que transmite uma boa dose de frescura. Sabores minerais confundem-se com a fruta, com salpicos de chocolate e flores. O final tem um bom comprimento e é sobretudo elegante.

É um vinho que me agradou principalmente pelo seu perfil calmo e elegante, com qualidade e com largo sentido gastronómico. Transmite-nos uma sensação de bem estar e vontade de mostra-lo aos amigos. A sua imagem, o seu lado jovem e cosmopolita são referências. Em suma, tem tudo para ser um vinho a ter em conta. 16.
publicado por allaboutwine às 04:15 | link do post | comentar